Foto: Ronaldo Silveira / O Tempo
Estudantes de Betim realizaram, na quinta (17), uma manifestação contra a decisão do juiz Taunier Cristian Malheiros Lima, da comarca de Betim, de suspender a imunização contra a Covid-19 de alunos que estão nos 7º, 8º e 9º anos do ensino fundamental municipal.
O protesto pacífico ocorreu na frente da sede do Ministério Público da cidade, já que a decisão judicial ocorreu após o órgão ter entrado com uma ação civil pública pedindo o fim da vacinação.
Munidos de cartazes com dizeres como “Quero Estudar, Vacina já!” e “Queremos ser Vacinados”, eles pediram a retomada a imunização nas escolas para que, assim, Betim possa iniciar na rede pública a volta às aulas, suspensas, desde março do ano passado, por causa da pandemia.
“Os alunos estão sendo prejudicados. Sem a imunização, as aulas não voltarão tão cedo. Vacinar alunos, principalmente do 7º ao 9º ano, é muito importante, pois são estes períodos que dão base para os estudantes começarem a se preparar para fazer exames como o Enem”, disparou Davi Lucas Nogueira, 18, diretor da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes) de Betim.
Na Escola Municipal Aristides José da Silva, que fica no Jardim Teresópolis, pais, alunos e profissionais da Educação foram pegos de surpresa, quando, ao chegar na manhã de quinta para iniciar a imunização dos estudantes, um oficial de Justiça apresentou o mandado de segurança informando sobre a proibição da vacinação desse público. No caso da escola, 333 alunos seriam imunizados na quinta.
“O oficial disse que se insistíssemos em imunizar os estudantes, eles acionariam a força policial. Diante disso, fomos até o portão da escola para avisar os pais e os alunos sobre a situação. Sentimos que, assim como nós, eles ficaram frustrados e decepcionados. É importante que os alunos sejam vacinados para que possamos retomar as aulas”, disse Leôncio Caetano de Farias, diretor da escola.
Mãe de Lara Sousa Pinto, adolescente de 14 anos que estuda no 9º ano da instituição, Letícia Nascimento de Sousa, 38, contou que receber a notícia de que a Justiça proibiu a imunização dos adolescentes foi uma “decepção”.
“É mais um ano perdido. As aulas remotas não são a mesma coisa. Ter o acompanhamento de um professor na escola é bem diferente. Os alunos estão sendo prejudicados e, no futuro, vamos ver as consequências do que está acontecendo agora com os nossos estudantes. Educação é fundamental. Parece que não querem que a juventude estude, adquira conhecimento. É com conhecimento que conseguimos reivindicar nossos direitos. A vacinação é para todos. Mas, no Brasil, até um detento tem prioridade no plano de imunização. Isso é um absurdo”, criticou Letícia.
Retorno com segurança
Segundo o secretário de Saúde de Betim, Augusto Viana, a decisão de aplicar o imunizante Pfizer em estudantes da rede municipal entre 12 e 14 anos teve como principal objetivo propiciar retorno às aulas semipresencial, de forma segura e organizada, para os estudantes desses três anos.
Além disso, conforme o secretário, ao tomar essa medida, Betim pretendia criar mais um pilar no enfrentamento da Covid no município. “Ao longo de todo esse tempo, procuramos conciliar a saúde com a economia e, agora, com a educação. O município detém de um alto percentual de analfabetos funcionais (5.800 betinenses, em 2016) e, com mais essa ação de fortalecimento da educação, através da imunização dos profissionais e dos estudantes, poderemos contribuir para diminuir o analfabetismo funcional, principalmente nessa faixa etária”, disse Viana.