Foto: Lisley Alvarenga
Os atendimentos a pacientes com problemas respiratórios, sintomas gripais e casos suspeitos de Covid-19 em unidades da saúde públicas e particulares de Betim, aumentaram até 84% em uma semana na cidade.
Diante da alta demanda, município e hospitais particulares reforçaram o quadro de especialistas das clínicas médica e pediátrica, e a prefeitura ampliou de dez para 28 o número de leitos clínicos respiratórios na pediatria do Hospital Regional. A situação, porém, segundo a prefeitura, não afetou a taxa de internação, que se manteve estável nos últimos dias, acompanhando a tendência do fim de 2021.
A Secretaria de Saúde de Betim informou que, entre logo após as festividades do Natal, do dia 27 de dezembro até a última segunda, dia 3, observou-se um crescimento de 84% na busca de pacientes com sintomas respiratórios por atendimento nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). A procura por testes de Covid também cresceu no município. Apenas entre 20 de dezembro e 4 de janeiro foram realizados 1.958.
O secretário municipal de Saúde, Augusto Viana, explica que, para conseguir suprir essa intensa demanda, desde o dia 31, o quadro de médicos pediatras e clínicos foi reforçado nas UPAs e que, nas 37 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as equipes de Saúde da Família estão priorizando o atendimento aos pacientes com sintomas gripais.
"Apesar do conhecimento de que as variantes surgem a todo momento, a ômicron tem a maior transmissibilidade entre todas as outras de interesse já descritas. Assim, ela passou a ser uma preocupação, apesar de mais de 85,8% da população de Betim já ter sido vacinada com as duas doses da vacina ou com a dose única. Vale ressaltar também que, com as festas de fim de ano, a população pode ter relaxado em relação às medidas de biossegurança, como o uso de máscaras e adoção do distanciamento social, proporcionando uma maior transmissão dos vírus", ponderou Viana, que acrescentou a informação de que, nos três últimos dias, entre segunda (3) e quarta (5), houve uma queda de 29% nos atendimentos a pessoas com sintomas gripais.
Desde dezembro, no Natal, dona Nilda Alamaral Lucindo de Souza, de 72 anos, disse que começou a apresentar sintomas como dor de cabeça, vômito e tosse. Ela, que já tomou as duas doses da vacina contra a Covid, inclusive, a de reforço, contou que já emagreceu três quilos no período. Nesta quinta-feira (6), ela voltou a médico e foi até o Centro de Referência Regional de Saúde do Trabalhador (Cerest) para realizar o teste do novo coronavírus. "Já tive Covid e estou me cuidando muito desde o início da pandemia. Os sintomas que estou sentido agora são muito parecidos com a Covid", contou.
REDE PARTICULAR
O problema da alta demanda de pacientes com problemas respiratórios também é vivenciado no Mater Dei Betim-Contagem. A unidade informou que, em dezembro, recebia, em média, por dia, 117 pacientes com sintomas gripais no pronto-socorro, e que, nestes primeiros dias de janeiro, esse número subiu para 207. Já a busca por exames RT-PCR para Covid saltou para 182% nos hospitais da rede entre a primeira semana de novembro de 2021 e a primeira semana de janeiro.
Para o diretor médico da Rede Mater Dei de Saúde, Felipe Salvador Ligório, o aumento dos casos de Influenza A, causado pela cepa H3N2, e de Covid-19 era previsto. “A ômicron apresenta mutações que indicam alta transmissibilidade. Em diversos locais com índice de vacinação elevado, há, no momento, um forte aumento do número de casos em um curto período de tempo, com predomínio quase total dessa nova variante. Por tanto, era improvável que esse fenômeno não ocorresse por aqui. Já o surto da Influenza, segundo ele, pode ter ocorrido, sobretudo, devido ao relaxamento de medidas de prevenção do coronavírus", salienta.
Na Unimed em Betim, o cenário não é diferente. A rede declarou que, somente nessa segunda-feira (3), foram registrados 1.008 atendimentos presenciais na cidade, sendo que 60% deles foram por sintomas respiratórios - um aumento de 47,4% em relação há quatro semanas. “A transmissão da Covid-19 e a de outros vírus respiratórios ocorrem de forma semelhante. Por isso, é importante que a população continue se cuidando e seguindo as medidas de prevenção", alertou a cooperativa em nota.
Uma moradora do bairro Arquipélago Verde, que pediu para não ser identificada, está com sintomas gripais e conta que não conseguiu enfrentar uma fila de cerca de 150 pessoas no Hospital da Unimed na segunda-feira (3). “Estava tão indisposta que não consegui esperar pelo atendimento e voltei pela madrugada do dia seguinte”, relata, que aguarda o teste da Covid-19 ficar pronto nesta sexta (7). Ainda segundo essa moradora, em conversa com uma colaboradora do laboratório onde o exame para detecção do coronavírus foi realizado, a funcionária relatou que o número de testes no estabelecimento aumentou cerca de 200% desde o fim das festas de Natal. “Ela me disse que, se, antes, realizavam dez exames por dia, agora estão fazendo 30”.
PREVENIR É O MELHOR REMÉDIO
Para evitar que haja maior contágio dessas doenças, a prefeitura orienta que as pessoas continuem seguindo a receita básica: vacinação contra a Covid-19 e adoção das regras de biossegurança, com usar máscara, higienizar as mãos, manter os ambientes bem ventilados e evitar aglomerações. Já em casos de sintomas gripais, como febre alta, dores de cabeça, dor de garganta, coriza, tosse, o município orienta que as pessoas procurem uma unidade de saúde.
"Fazemos um apelo àqueles que ainda não se imunizaram ou que estão com doses em atraso para que procurem um posto de vacinação para completar o esquema vacinal. A vacina está disponível em todas as 37 Unidades Básicas de Saúde do município, no Vacimóvel e em postos volantes", frisa o secretário municipal de Saúde, Augusto Viana.