A crise econômica que assola o país e a cidade continua contribuindo para o aumento do desemprego. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a abril mostraram que Betim teve 639 empregos formais com carteira assinada extintos. Só nos quatro primeiros meses do ano, foram 1.954 empregos perdidos.
O único alento diante desse cenário é que o resultado deste abril foi menos ruim do que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram 1.119 vagas perdidas. Ou seja, em 2016, o resultado do saldo foi 42% melhor do que o registrado em 2015.
Como vem acontecendo ao longo dos últimos meses, a indústria liderou o resultado negativo. Somente em abril, das 639 vagas perdidas, 84% foram nesse setor. O comércio vem seguida, com 443 vagas formais a menos no quadrimestre.
Na contramão da estatística, a construção civil criou 138 empregos com carteira assinada, e a agropecuária, 141.
O professor de economia do Ibmec Felipe Leroy diz que não há perspectiva de melhora da economia a curto prazo. “Estamos uma dinâmica do crescimento inversa, ou seja, com queda do PIB (Produto Interno Bruto). E as projeções ainda são de recuo da atividade econômica”, analisou. “E o resultado mais nítido desse cenário é o aumento da informalidade. Hoje, nos deparamos com várias pessoas em trabalho informal nas ruas”, completou.
Ele também explicou que cidades que têm sua economia calcada em praticamente uma ou duas áreas – como é o caso de Betim com a indústria –, tendem a sofrer mais com a crise. “A indústria automotiva é forte em Betim e, por isso, quando ela vai mal, os outros setores refletem esse cenário. É o resultado da falta de diversidade econômica, com a parada no tempo”, acrescentou.
O torneiro mecânico Diogo Cabral foi uma das vítimas do desemprego. “Fui mandado embora em março depois de seis anos na empresa, e estou preocupado com essa situação. Preferiria estar com a carteira assinada a receber o seguro-desemprego”, diz.
Estagnação
Dados divulgados nessa quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (FGV), sinalizaram para “atenuação do ritmo de queda do número de pessoas ocupadas na economia brasileira nos próximos meses”.