“Tudo aconteceu muito rápido. Leandro começou a se sentir mal na segunda passada e, na sexta-feira, morreu. Éramos recém-casados e planejávamos ter filhos ainda neste ano”, conta a viúva Larissa Penedo Dias, 24. A jovem era esposa de Leandro Dias da Silva, 33, que morreu, na sexta-feira (19), após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), causado por dengue hemorrágica. Esta é a primeira morte causada pela doença neste ano na cidade.
Silva era morador do bairro Dom Bosco e havia contraído dengue clássica outras duas vezes. Além dele, a esposa e os pais, que moram na mesma região, também já tiveram a doença.
De acordo com Silvania Penedo Ribas, tia de Leandro, quando Silva começou a sentir os sintomas, foi atendido em um hospital particular, mas os médicos não diagnosticaram dengue. “Ele estava aqui, bem de saúde, na casa da minha mãe, no domingo à noite. Na segunda-feira ele amanheceu com febre alta e sangramento no nariz e gengiva. O médico da clínica Clinicare, disse, em tom de deboche, que os sintomas eram decorrentes do calor. Na terça-feira, ele voltou ao médico. Ele chegou a ser internado, mas as coisas, entretanto, não melhoraram. Estávamos sentindo que Leandro estava sendo negligenciado e pedimos uma transferência para o Hospital Santa Rita, em Contagem. Lá ele passou por cirurgia, mas, infelizmente, faleceu”, conta.
Para ela, falta um combate efetivo da dengue na cidade. “Até quando vamos ficar vítimas do descaso? Será que é preciso quantos Leandros morrerem pra que os políticos tratem a situação da dengue com responsabilidade? Ele era jovem, saudável. É difícil de acreditar. Minha sobrinha e ele tinham sonhos, que, agora, foram destruídos”, enfatiza Silvania.
Mesmo com atestado de óbito identificando como dengue hemorrágica a causa da morte de Silva, a Secretaria Municipal de Saúde não confirma o óbito em decorrência da dengue no município. “A suposta vítima foi atendida em uma clínica particular em Betim, que não notificou/classificou o caso como dengue. A prefeitura está investigando o caso e aguarda exame laboratorial realizado pela Fundação Ezequiel Dias.”
Confronto
De acordo com os moradores do Dom Bosco, há, na rua Pitangueira, um vizinho que não ajuda no combate à dengue, e, também, não deixa agentes da Zoonoses trabalharem. A comunidade tentou fazer uma manifestação de alerta aos perigos do Aedes aegypti, mas a ação foi interrompida com tiros por este morador. “Tivemos que parar a manifestação porque um de nossos vizinhos deu quatro tiros para o alto. Outro dia ele recebeu a Zoonoses a pedradas. Chamamos a polícia, mas disseram que não podem entrar sem mandado judicial”, explica um morador que não quis se identificar.
A Secretaria Municipal de Saúde afirmou que, a partir de março, por determinação judicial, os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e profissionais da saúde que realizam o combate à dengue poderão entrar em imóveis desabitados e fechados, abandonados ou com acesso não permitido pelo morador.
Dados
De acordo com o último boletim divulgado pela Prefeitura de Betim, até a sexta-feira (19), 1.439 casos de dengue foram registrados na cidade. Destes, 291 notificações foram confirmadas.
Hospital lamenta morte
O Hospital Clinicare afirmou que o paciente procurou a unidade médica na segunda-feira (16), apresentando sintomas inespecíficos. “O paciente inicialmente não apresentava febre e quaisquer sinais de sangramento. Foi realizada a ‘prova da laço’, e o resultado foi negativo. O paciente estava sem sinais de desidratação. Como recomenda o Ministério da Saúde, orientamos Leandro a retornar ao hospital caso houvesse alterações. No dia seguinte ele retornou e foi prontamente atendido e internado. Ele foi transferido para o Hospital Santa Rita com o quadro estável. Infelizmente não há tratamento específico para a dengue, e ela pode evoluir para a forma hemorrágica apesar de qualquer tratamento instituído. Lamentamos profundamente a morte do paciente”.
Descaso na Semas gera preocupação
Usuários de unidades que prestam serviço social à população denunciaram o abandono de piscinas, que, além de água parada, acumulam sujeira.
Em um dos núcleos da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), que fica no bairro Petrópolis, a piscina não recebe limpeza há cerca de três meses, de acordo com a usuária Josicleide Nascimento de Souza, 52. “Eu e outras 40 mulheres fazemos ginástica em volta da piscina. Antes, a prefeitura mandava um rapaz para limpar às segundas-feiras, mas, de repente, suspendeu o serviço. Com isso, há quase três meses a piscina não é limpa. “Eles tamparam a piscina e percebemos que larvas apareceram até cima da lona. ” enfatiza. Outro núcleo alvo da mesma denúncia é o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Sitio Poções.
A Prefeitura de Betim informou que devido ao período de contratação de empresa responsável pela manutenção das piscinas, houve um espaçamento maior de limpeza, que acontece toda semana, mas que o serviço foi normalizado.