Betim tem hoje 38 áreas de risco de desastre iminente sendo vistoriadas pela Superintendência da Defesa Civil. São pontos de ameaça de deslizamento de terra e de inundação que podem colocar a integridade de construções e a vida de milhares de famílias em risco, sobretudo, agora, com a chegada do período chuvoso. As áreas estão espalhadas por diversas regiões da cidade, entretanto, quatro são avaliadas pelo órgão como as mais preocupantes.
A primeira é uma ocupação de cerca de três anos em um terreno público no bairro São João, conhecido como Dom Tomás Balduíno. “Esse terreno, onde está prevista a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), é muito inclinado, e as pessoas fizeram mais barracões do que o local tem capacidade. Muitas das casas estão construídas na beira de encostas, mas nem todas estão sob risco de desabar. As que mais preocupam são as que estão construídas na parte de baixo”, explicou o superintendente da Defesa Civil, José Coelho.
Outros dois pontos que inspiram cuidados são também ocupações em áreas públicas. Uma, onde vivem cerca de 150 famílias, está localizada no bairro Capelinha e é conhecida como Jardim Vitória. A outra fica no Parque das Videiras e abriga aproximadamente 30 famílias. “Da mesma forma, é um terreno muito inclinado, a terra não é de boa compactação e muitos barracões foram construídos de forma inadequada”, completo.
O último ponto de alto risco catalogado pela Defesa Civil fica na rua Caranambi, no bairro Icaivera. “Lá é um loteamento aprovado na década de 60, quando a legislação não era da forma como é hoje. O local tem um córrego, que teve seu sentido mudado e foi canalizado pelos moradores. Eles construíram casas às margens do córrego, o que fez com que o local se tornasse uma área de risco”.
De acordo com relatório “Ação Emergencial para Delimitação de Áreas em Alto e Muito Alto Risco de Enchentes e Movimentos de Massa”, elaborado pelo Ministério de Minas e Energia em parceria com a Defesa Civil, “observou-se a falta de percepção do risco por parte dos moradores destas áreas, que convivem com o perigo e, que sem conhecimento, muitas vezes o potencializam, cortando verticalmente as bases das encostas para aplainamento do terreno, removendo a cobertura vegetal, importante para a fixação do solo, despejando águas servidas e de fossas, lixos e entulhos diretamente nas encostas e nos corpos hídricos”.
Apesar de estar ciente dos riscos de viver com a mãe e os dois filhos pequenos em uma casa de madeira, debaixo de um barranco na ocupação do São João, André Luiz de Oliveira Guimarães, 34, disse que não tem para onde ir. “Na última chuva que teve, um barracão aqui perto foi derrubado. Temo pela minha vida e a da minha família, mas, infelizmente, não tenho para onde ir. Estou desempregado e não tenho como pagar aluguel e alimentar meus filhos. Se a prefeitura arrumasse um local para irmos ou nos pagasse aluguel social, aceitaria sair daqui, mas nunca vieram me oferecer nada”, disse.
Posicionamento
A prefeitura informou que o programa de aluguel social que provém de recursos do município, assim como os programas habitacionais do governo federal, estão suspensos devido ao impacto da atual crise econômica enfrentada por todo o país.