Mesmo Betim sendo a segunda economia de Minas Gerais, com uma previsão de arrecadação de cerca de R$ 1,6 bilhão para 2015, e a 20ª cidade mais rica do país, a cada ano que passa, a gestão dos recursos piora ainda mais. A constatação veio de um estudo nacional realizado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que classificou como “crítica” a administração da cidade.
O resultado da pesquisa apontado pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) – que avalia a forma como os municípios arrecadam, como investem em melhorias, a capacidade de pagar suas dívidas e como os recursos são gastos – tem como base dados do exercício fiscal de ano de 2013, declarados pelos próprios municípios à Secretaria do Tesouro Nacional.
Segundo a pesquisa, o IFGF de Betim foi 0,3316, recebendo um conceito D, o pior índice (que vai de A a D). Na avaliação, quanto mais próximo de 1 é a nota, mais bem-avaliada é a gestão. Levando-se em conta todas as 5.243 cidades avaliadas pelo estudo no país, Betim ficou em 4.125ª posição no ranking nacional e foi a 618ª na listagem estadual. Para efeito de comparação, a vizinha Contagem ocupa a 855ª posição no país e a 90ª colocação no Estado, com o IFGF de 0,5961, recebendo conceito C.
O que chama a atenção e preocupa é a queda vertiginosa que Betim vem apresentando com o passar dos anos, mesmo com o aumento da arrecadação. No levantamento anterior, tendo como ano-base 2012, o IFGF de Betim foi 0,3698, ou seja, 10% melhor que o avaliado em 2013. Já levando-se em conta os dados desde, a avaliação piorou consideravelmente. Naquele ano, o índice da cidade foi 0,6358, recebendo conceito B (boa gestão). Ou seja, em sete anos, a avaliação da gestão fiscal da cidade piorou 44%.
Das quatro áreas que são levadas em consideração para se chegar ao IFGF, Betim recebeu o conceito D, o pior, em três. O ponto mais crítico é a perda da capacidade de investimentos do município. Nesse quesito, com nota 0,2017, se comprova que Betim não consegue investir por conta própria nem atrair investidores. Em relação ao levantamento de 2012, o índice piorou 39%.
Esse péssimo resultado tem a ver ainda com outras duas áreas mal-avaliadas. Uma delas é a receita própria, cuja avaliação caiu 8% de 2012 para 2013, o que mostra que a cidade é estritamente dependente da indústria para compor sua arrecadação. “Com a crise que a indústria vem apresentando, é preciso diversificar a economia a as fontes de receita”, afirmou o especialista em desenvolvimento econômico da Firjan, Jonathas Goulart Costa, um dos responsáveis pelo estudo.
Outro ponto que contribuiu para a má avaliação administrativa da cidade em 2013 foi o custo da dívida. Em um ano, o índice piorou 12% (de 0,6717 para 0,5880), o que mostra que a administração está engessada devido ao endividamento milionário da prefeitura, que hoje, segundo o próprio governo, ultrapassa os R$ 520 milhões.
“Gasta-se muito com a folha salarial. Com isso, não sobram recursos para investir na cidade. Isso é consequência de um planejamento ruim”, avaliou Costa. “O que chama a atenção de Betim é que ano a ano a avaliação é cada vez pior, e é uma situação que tende a permanecer por algum tempo ainda. As ações para mudar esse cenário só começarão a dar resultado, se forem feitas, a médio e longo prazos, com um planejamento bem-feito”, afirmou.