Os riscos oferecidos pelo Aedes aegypti, mosquito vetor da dengue, da febre chikungunya e do Zika Vírus – doença que transmite a microcefalia, uma malformação do crânio que pode trazer sequelas irreversíveis ao desenvolvimento de bebês –, crescem a passos largos em Betim. Segundo balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, são 21.117 casos confirmados da doença de janeiro ao dia 23 de novembro deste ano, contra 404, em 2014 – um aumento de 5.126%.
Os dados são preocupantes, pois representam 5.570 casos da doença por grupo de 100 mil habitantes, considerando-se o Censo de 2010. Assim, mesmo conforme o cálculo da prefeitura, que se baseia na população estimada pelo IBGE, em 2014, o número já supera, em muito, a taxa limite do Ministério da Saúde, que considera epidemia quando há mais de 300 casos para cada 100 mil moradores.
Betim também segue em primeiro lugar no número de confirmações de dengue em Minas, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Uberlândia fica em segundo, com 16.820 casos e, Belo Horizonte, em terceiro, com 15.458 casos confirmados de dengue até o dia 23 novembro.
Outra preocupação está relacionada ao Zika Vírus. A doença, desde o meio do ano, é enfrentada como epidemia no Brasil e estaria relacionada com o surto de microcefalia na região do Nordeste, conforme informou o Ministério da Saúde, no último sábado (28).
Para piorar, na última quinta-feira (3), a Secretaria de Estado de Saúde também confirmou que Minas investiga a relação de 11 casos de microcefalia com o Zika Vírus. Um dos casos é um bebê nascido em Belo Horizonte. “Trabalho no bairro Teresópolis e lá tem muito acúmulo de lixo nos lotes, um criadouro do mosquito da dengue. Por isso, estou trabalhando só com calça e tênis, e passo repelente o tempo todo. Tenho muito medo de pagar o Zica”, contou a vendedora Daniela de Oliveira, grávida há três meses e de gêmeos.
Posicionamento
Apesar de alegar que, atualmente, o município não está em epidemia, Secretaria Municipal de Saúde declarou que Betim já enfrentou diversas epidemias de dengue, sendo as mais recentes nos anos 2010, 2013 e 2015. A secretaria informou ainda que, para evitar a proliferação do mosquito, realiza ações de tratamento focal e de conscientização, com os mais de 150 Agentes de Combate às Endemias (ACEs) que visitam, diariamente, as residências de todas as regiões do município.