Betim, que há oito anos chegou a ser considerada uma das melhores cidades para se trabalhar, agora enfrenta um cenário bem diferente. A cidade, uma das mais industrializadas do país, é a terceira de Minas Gerais que mais fechou postos de trabalho.
De janeiro a outubro, a cidade perdeu 6.411 empregos formais, ficando atrás apenas do Belo Horizonte e Contagem. No ranking nacional, Betim foi o 35º município do país que mais demitiu no ano. Os dados foram divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Em um ano, a cidade perdeu quase 10% de sua mão-de-obra.
No mesmo período do ano passado, a cidade havia fechado apenas 904 vagas, número 609% menor que o registrado neste ano. “Nosso país perdeu muita credibilidade política, e isso reflete na economia. Não é à toa que a indústria sentiu mais e entrou em crise, que já chegou a outros setores. Enquanto não retomarmos nossa credibilidade, vamos continuar nessa crise”, afirmou o economista Vicente Mesquita.
Betim é um exemplo vivo disso. Pautada sua economia na indústria, o setor foi responsável por 81% dos empregos perdidos na cidade no ano. Nos dez primeiros meses, o saldo negativo é de 5.129 vagas fechadas. Foram 13.525 admissões contra 8.306 demissões. “É preciso diversificar a economia. Betim parou no tempo e apostou somente na indústria. A conta chegou”, completou o economista.
Dos oito setores avaliados pelo Caged, seis deles têm resultados negativos em Betim. A segunda área que mais fechou vagas foi o setor de serviços, com o fechamento de 597 postos de trabalho. Em seguida, vem o comércio, que perdeu 538 empregos formais. “Em Betim, as demissões na indústria afetam diretamente o comércio, já que os trabalhadores que compraram estão perdendo seus empregos. E isso está refletindo já para as vagas temporárias de fim de ano. As lojas não estão contratando como no ano passado. Então, teremos uma oferta bem menor de vagas temporárias”, afirmou o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Betim, José Barboza.
Positivo
Apenas dois setores apresentaram resultados positivos na geração de empregos. A construção civil lidera o ranking. Entre admissões e demissões, o setor gerou 137 vagas na cidade. A outra área que teve resultado positivo foi a administração pública, com um saldo de 47 empregos formais.