A ação frequente de bandidos em Betim está tirando o sossego da população. Os roubos a pedestres, motoristas e a lojistas acontecem, muitas vezes, à mão armada e em plena luz do dia. O medo é tamanho que, recentemente, no bairro Renascer, moradores colocaram uma faixa em frente a um ponto de ônibus localizado na rua Itaú, para chamar a atenção das autoridades para a onda constante de assaltos na região.
Amedrontados, no início de abril, moradores do bairro Brasileia também tomaram uma atitude semelhante: afixaram em uma árvore uma placa alertando os motoristas sobre o perigo de estacionarem os veículos na esquina das ruas Camilo Ana e Marechal Rondon. Assim como os moradores do bairro Renascer, o objetivo deles foi despertar a atenção da autoridades e tentar intimidar os criminosos.
De acordo com o fiscal Charles Nunes de Souza, 38, apesar de a faixa na rua Itaú, no bairro Renascer, ter sido colocada recentemente, o problema dos assaltos na região não é novo. “Sempre ouço o relato de alguém que já foi assaltado aqui no bairro. Ultimamente, o problema está ainda mais frequente. Os assaltantes chegam bem cedo, por volta das 6h, de moto ou de bicicleta, e ‘fazem a limpa’ em quem está esperando no ponto de ônibus”, afirmou.
Para o comerciante Sérgio de Castro, 39, a população fica de braços cruzados. “A gente fica aqui no bairro, com o comércio aberto, mas amedrontado com tantos casos de violência. Não há muito o que fazer. A patrulha da polícia poderia ser mais frequente. Outro dia, às 5h da manhã, bandidos entraram em um ônibus e assaltaram todo mundo. Agrediram as pessoas. Está muito perigoso”, desabafou o lojista.
Outro comerciante do bairro Renascer cansado dos constantes assaltos é Valdir de Souza Gomes, 65. Proprietário de uma padaria na avenida Getsemani, ele disse que perdeu as contas da quantidade de vezes que foi alvo da ação de bandidos e reclamou da falta de policiamento na região. “Pelos os meus cálculos, nos cinco anos que estou neste ponto, já fomos assaltados umas 20 vezes. A polícia sabe da situação, mas não toma providências. Sofremos com a criminalidade e não temos sossego. A situação é tão crítica que estou pensando em fechar as portas e sair do Brasil”, disse.
O último assalto presenciado por Valdir ocorreu na manhã de sábado (16). Na ocasião, os assaltantes abordaram mulheres que estavam em um ponto de ônibus próximo à padaria. Amedrontadas, elas correram para dentro do estabelecimento, contudo, os bandidos fugiram depois de serem “recebidos” por Valdir com uma barra de ferro. “Não estou dando conta mais, por isso passei a reagir aos assaltos. Peguei a barra de ferro e fui para cima deles. Um ameaçou atirar, mas acho que ele não estava armado. O problema é a impotência que a gente fica, sem poder fazer nada. Pago meus impostos e ainda vou ser roubado?”, questionou.
No bairro Brasileia, o auxiliar de manutenção Daniel Damasceno, 55, explicou que o aviso na árvore foi colocado no intuito de intimidar os criminosos. “Eu acho que o ladrão deve ser o mesmo, porque estão sempre roubando carros aqui na rua”, constatou.
Posicionamento
O comandante do 33º Batalhão da Polícia Militar de Betim, Luciano Vivas, garantiu que existe um policiamento ostensivo na região do bairro Renascer. “Contudo, ele pode não estar direcionado para atender a demanda da população. Por isso, é preciso que os moradores busquem a 177ª Cia. para empreendermos e direcionarmos melhor as ações na região”, explicou.
De acordo com o comandante, a Polícia Militar de Betim está a inteira disposição para ouvir as reivindicações dos moradores e ressaltou a importância de as pessoas vítimas de algum crime ligarem para o telefone 190 e fazerem o boletim de ocorrência. “Somente assim, os furtos e roubos vão para as nossas estatísticas e poderemos direcionar melhor as nossas ações”.