O descontrole administrativo e financeiro na Prefeitura de Betim fez com que o governo municipal executasse apenas 13,1% do previsto em obras na cidade, segundo balanço do próprio governo. O resultado do baixo investimento são avenidas sanitárias inacabadas, postos de saúde aguardados há anos pela população e que continuam sem previsão de funcionamento, creches insuficientes e a construção do teatro municipal paralisada há três anos.
De acordo com o resultado da gestão fiscal apresentado pela própria prefeitura, entre janeiro e agosto, R$ 171 milhões estavam previstos para serem investidos em obras na cidade somente nos oito primeiros meses do ano. No entanto, desse montante, apenas R$ 22,5 milhões foram executados, ou seja, 13,1% do total. No mesmo período, a arrecadação municipal foi de R$ 995,9 milhões. Com isso, muitas obras prometidas no Orçamento de 2015, aprovado no fim do ano passado pela Câmara, ficaram apenas no papel.
Dentre as obras que a prefeitura prometeu concluir em 2015, estão a conclusão das avenidas Vasco Santiago, no Dom Bosco/Jardim Alterosas; da Universal, no Imbiruçu; e da Goiabinha, no Citrolândia. Porém, as duas primeiras, iniciadas na gestão da ex-prefeita MDC (PT) e continuadas pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), ainda estão em obras, e a terceira nem sequer foi iniciada.
Também foi prometida para a população, segundo o orçamento deste ano, a conclusão da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Cruzeiro do Sul. Nesta semana, a reportagem esteve no local, e a obra de R$ 2,4 milhões está inacabada. Além disso, outras 29 unidades, que deveriam ser feitas, também não foram executadas. Na área cultural, também estava prevista a retomada da obra do teatro municipal, mas nenhum investimento foi feito pelo governo. A obra está parada desde 2012, e não há nenhum centavo sequer previsto para a obra em 2016.
Além disso, o governo fez a previsão de gastar R$ 10 milhões na construção de centros infantis, R$ 29 milhões em saneamento e R$ 151 milhões em urbanismo.
Baixo investimento
Segundo a previsão do governo, a estimativa era investir no ano todo R$ 220,6 milhões em obras, mas, pelo volume que foi executado até agosto – 13% do previsto – o valor deve ficar bem abaixo, assim como aconteceu nos dois primeiros anos do governo Carlaile. Em 2013, apenas R$ 34,1 milhões foram gastos em obras. Já no ano passado, dos R$ 247,1 milhões previstos, só 18,4% foram aplicados, ou seja, R$ 45,6 milhões.
Para o ano que vem, segundo a peça orçamentária enviada para a Câmara, a estimativa é que sejam gastos em obras R$ 191,3 milhões, previsão menor que nos últimos anos.
Para o vereador Eutair dos Santos (PT), o gasto com a folha de pagamento e o custeio da prefeitura comprometem quase toda a receita do município não sobrando recurso para se investir em obras. “E esse problema só poderá ser sanado se o governo cortar os cabides de empregos e os altos salários existentes na atual gestão. Hoje a cidade paga um preço alto, inclusive no aspecto da violência, pelo descontrole da atual gestão”.
Quem espera pelas obras sofre por causa da demora. A auxiliar de produção Suelen Fernandes, moradora do bairro Cruzeiro do Sul, é um exemplo. “Há anos a gente espera pela construção da UBS do bairro. Tem muita gente acamada, com crianças e o outro posto não tem estrutura. É um descaso”.
A prefeitura informou que os impactos da crise econômica no município provocaram queda acentuada de receitas e, por consequência, redução de investimentos. Segundo o governo, as obras mencionadas são executadas com recursos próprios e convênios.