Entra ano e sai ano e as discussões sobre ações para tentar coibir o crescimento desenfreado da violência em Betim continuam só no papel. Na última terça-feira (24), uma audiência pública ocorrida na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para debater o problema, o que se viu foi apenas um jogo de empurra entre os participantes, que voltaram a apontar os desafios da cidade e a relembrar as promessas de melhorias que ainda não ocorreram, como o aumento do número de efetivos, a agilidade na resolução de inquéritos e a construção de um centro de ressocialização para menores infratores – uma das principais promessas do secretario municipal de Segurança Pública de Betim, Luís Flávio Sapori, importado do governo tucano por Carlaile para resolver o problema da criminalidade.
Para a deputada estadual Ione Pinheiro (DEM), a audiência foi uma “decepção”. “Esperava mais por parte do governo do Estado e da Prefeitura de Betim. O governo municipal só apresenta projetos e planos. Tanto o governo estadual quanto o municipal têm que fazer o dever de casa deles. Não podemos tirar a responsabilidade deles. Falta anunciar ações efetivas. Há 11 meses teve outra audiência e de lá para cá nada aconteceu”.
O secretário de Segurança Pública de Betim, Luís Sapori, admitiu que a estrutura do poder público em Betim está defasada. Para ele, parte das carências são de responsabilidade da Prefeitura de Betim, como o baixo número de guardas municipais – 170, enquanto o ideal, na sua opinião, seria de cerca de 400. Ele também disse acreditar que a administração municipal precisa cumprir seu papel na prevenção do crime.
Centro para menores
Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude de Betim, Leonardo Bolina, as discussões na audiência apenas “enxugaram gelo”. “Falta estrutura de base e aplicação de políticas públicas. Estamos enxugando gelo, a verdade é essa. A minha primeira proposição é a construção, ainda que, por meio de parceria público-privada, de um centro de internação provisória. É lamentável a situação de Betim. Com o número de apreensões em flagrante que ocorrem e não termos um centro para essa internação provisória para os menores”, criticou.
Responsável pela 2ª Delegacia Regional da Polícia Civil de Betim, Álvaro Huertas, chamou a atenção para o trabalho da polícia na cidade. “As polícias de Betim trabalham muito. As operações e prisões são feitas constantemente. No que se refere a Polícia Civil, o número de efetivos é de suma importância. Por isso, estamos aguardando a autorização para chamar os concursados. Outro ponto que nos preocupa é a questão do centro de internação para menores. Essa é uma questão que não compete as polícias Militar e Civil, mas que impactam diretamente no nosso trabalho. Se eu não tiver um local para internar, não adianta o juiz determinar uma apreensão. Se a polícia cumprir, não tem onde colocar aquele menor. A polícia fica de pés e mãos atados”.
O deputado estadual Cabo Júlio (PMDB) também voltou a cobrar da prefeitura e do Estado a construção de um centro para menores e criticou o fato de os vereadores de Betim não terem barrado, em 2011, o projeto de lei que autorizava a construção de um centro de ressocialização para menores no bairro Pingo D’água. “O menor comete crime e ri da polícia, porque sabe que vai ser solto. Isso desestimula a polícia de trabalhar e o crime só aumenta, gerando uma sensação de impunidade na sociedade. Se arrumar o local e tiver a verba, a Câmara não pode barrar o projeto para a construção novamente”, alertou.
O vereador Klebinho Rezende (PSD), defendeu os parlamentares. “Vamos nos empenhar para aprovar a escolha do local”, afirmou.