Falta de medicamentos faz sindicato ir ao MP outra vez

Menos de três meses depois de o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde em Minas Gerais (Sind-Saúde/MG) recorrer ao Ministério Público local para denunciar uma situação grave de falta de condições de trabalho e de materiais básicos para que os profissionais da cidade possam executar suas tarefas, a direção da entidade voltou a buscar ajuda da promotoria da Saúde nesta semana. Segundo o sindicato, a crise de desabastecimento de medicamentos e de insumos em Betim “em vez de melhorar, tem se agravado a cada dia e está se tornando insustentável”.

Diretora do Sind-Saúde em Betim, Berenice Freitas definiu a situação como “catastrófica”. “Os servidores relatam que a falta de materiais está constante e que, por esse motivo, coloca em risco as atividades profissionais de todas as equipes”. Ainda de acordo com ela, “os fornecedores desses insumos e medicamentos não querem mais fornecer por atraso e falta de pagamento”, afirmou a sindicalista.

Ainda conforme ela, é preciso que o Ministério Público faça garantir o direito à saúde do cidadão. “Diante da gravidade da situação, protocolamos um novo ofício no Ministério Público na quarta-feira (22). É preciso que a justiça faça cumprir a Constituição Federal de 1998 e garanta, imediatamente, todos os insumos, medicamentos e condições de trabalho em todas as unidades, para que a população não corra risco de morte por negligência do poder público”, criticou.

Uma das situações mais graves está ocorrendo no Hospital Regional. Alguns médicos da unidade ligaram para a reportagem na sexta-feira (17) e informaram que estavam impossibilitados de fazer cirurgias porque medicamentos indispensáveis para a realização desses procedimentos estão em falta. De acordo com um dos especialistas, que pediu anonimato, a situação é “alarmante”. “A situação de falta de medicamentos e até de materiais cirúrgicos é rotineira. Às vezes, conseguem suprir a falta, mas em pouco tempo acaba novamente”, denunciou.

Outro médico revelou que estão faltando remédios e material importantes na unidade como gentamicina (antibiótico usado para tratamento de meningites e infecções cutâneas), contrastes radiológicos (usado para exames de tomografia) e até dopamina e a noradrenalina (medicamentos usados no CTI para manter a pressão arterial dos pacientes).

Funcionários que trabalham nas demais unidades do município também denunciam a falta de medicamentos. Em alguns casos, alguns trabalhadores dizem que, com medo de que o quadro de saúde dos pacientes piore, eles compram os remédios do próprio bolso. “Eu mesmo já fiz isso diversas vezes. Estamos vivendo um casos na saúde da cidade, que piorou muito de 2014 para cá. No posto em que atuo, o farmacêutico e a auxiliar de farmácia são hostilizados constantemente, como se a culpa do desabastecimento fosse deles. Uma colega de trabalho que estava grávida, uma vez, teve pico de hipertensão depois de ser ameaçada por um paciente. Em junho mesmo, houve um problema seriíssimo de falta de insulina na rede e muitos pacientes tiveram que ser internados as pressas”, contou o médico Luís Alberto da Unidade Básica de Saúde (UBS) Alvorada.

Respostas

A assessoria do Ministério Público informou que já existe um inquérito civil instaurado para apurar a falta de medicamentos na rede pública do município, contudo, ressaltou que, diante dessa nova denúncia, a promotora de Saúde, Giovanna Caroni, enviou um ofício para o secretário municipal de Saúde, Razível dos Reis, e aguarda um retorno para saber quais as próximas medidas irá tomar.
Já a Secretaria Municipal de Saúde informou, por e-mail, que o estoque de medicamentos e insumos está sendo reposto pelos fornecedores. “A secretaria está realizando um remanejamento interno de medicamentos para que a assistência ao usuário continue sendo prestada”, declarou.

Adicionar comentário

Este espaço é fornecido para que os internautas possam expressar suas opiniões sobre o artigo postado. Para outros comentários clique aqui.


Código de segurança
Atualizar

transparente