A dona de casa Dirlene Angelina do Nascimento, de 36 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira (4) , na Maternidade Pública de Betim, após dar à luz um menino. Inconformada, a família da paciente acusa a Secretaria Municipal de Saúde de negligência e questiona as condições de atendimento da maternidade.
Isso porque uma médica teve que sair, em seu próprio carro, para buscar bolsas de sangue em outra unidade de saúde para realizar uma transfusão.
“Não sei medir o tamanho da minha dor, que chega a ser até física. Nenhuma mãe merece enterrar uma filha, ainda mais nessas condições. Ainda não consigo acreditar”, conta Odeli Ferreira da Silva, de 62 anos.
De acordo com a família, os médicos induziram o parto normal por mais de dez horas. “Minha mãe era saudável e não teve complicações durante a gravidez. Ela chegou aqui, na maternidade, por volta das 7h, e eles induziram o parto até a noite. Por que não fizeram uma cesária? Ela sofreu hemorragia, teve que passar por duas cirurgias, chegou a tirar o útero, mas não adiantou. Já era tarde”, lamentou a filha Camila Belmiro, 19.
A auxiliar de enfermagem Maria das Dores Amorim, 56, conta que não é a primeira vez que um funcionário deixa seu posto para buscar sangue no Hospital Regional. “Eu não estava trabalhando na unidade no momento do fato, mas posso afirmar que já aconteceram situações parecidas. Funcionários tiveram que ir, em seus próprios veículos, buscar sangue para a realização de procedimentos na maternidade. Nós sentimos muito a morte desta mulher”, criticou.
Ainda de acordo com ela, a administração pública está boicotando o serviço da unidade para ter argumentos para fechá-la. “Trabalho aqui há 22 anos. O que vemos é que a prefeitura está piorando as condições de trabalho. Estamos sobrevivendo sem medicamentos, sem perspectivas”, enfatizou.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a paciente apresentou sangramento volumoso após o parto. “Todas as medidas cabíveis e necessárias foram feitas pela equipe médica durante o atendimento, e a paciente recebeu transfusão”. A secretaria “está apurando o ocorrido” e informou ainda que as bolsas de sangue ficam no posto da Hemominas, no Hospital Regional.