Foto: Carol Miranda
Sob risco de ter o licenciamento ambiental cassado, o frigorífico Ave Nova, no bairro Capelinha, terá até o dia 26 de dezembro para cumprir 60 adequações exigidas pela Prefeitura de Betim, principalmente relacionadas ao barulho, aos resíduos e a poluição do ar gerada pela empresa. O despacho com as exigências foi apresentado pelo município durante audiência pública realizada nesta terça-feira (8) na Câmara de Vereadores.
Para o secretário Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ednard Tolomeu, o prazo oferecido pelo município será o ponta pé para o início da resolução dos problemas que seriam gerados pelo empreendimento na região. “Após o dia 26 de dezembro, vamos avaliar tecnicamente se as exigências implementadas são suficientes. Caso não sejam, poderemos impor mais, sob risco de a empresa ter a licença suspensa, cassada ou ser multada”, salienta.
Segundo o vereador Claudinho (PSD), que solicitou a audiência, após o dia 26, uma comissão formada por ele e pelos parlamentares Zezinho do Carmo (PTB), Marquinho Rodrigues (PV), Gregório Silva (PROS) e Paulo Tekin (PL), vai até o frigorífico fiscalizar se as adequações foram realmente cumpridas. “Caso as exigências não sejam cumpridas, vamos fazer uma denúncia no Ministério Público e judicializar essas manifestações da comunidade”, afirma.
Cerca de 900 trabalhadores tiveram que ser evacuados às pressas do local, que teve que ser isolado por algumas horas.
Motivação do debate
O debate no Legislativo foi motivado após um vazamento de gás de amônia ter ocorrido na empresa, em 4 de outubro. Na ocasião, cerca de 900 trabalhadores tiveram que ser evacuados às pressas do local, que teve que ser isolado por algumas horas. Alguns, inclusive, foram intoxicados.
O caso trouxe à tona várias denúncias de moradores de imóveis vizinhos à empresa, como é o caso da agente de saúde Claudilene Costa. Presente na audiência, ela conta que por causa do vazamento de gás amônia ocorrido em outubro, ela teve problema nas cordas vocais.
“O último vazamento foi o estopim para nós. Fiquei rouca e sem conseguir falar durante uma semana. A amônia queimou minhas cordas vocais. Vamos entrar com uma ação coletiva contra a empresa para ver se alguma providência é tomada”, salienta Costa.
Já o oficial administrativo Claudimar Morador, que mora em um condomínio que faz divisa com a empresa, lembra que os transtornos gerador pela empresa já foram discutidos em uma audiência pública realizada no Legislativo municipal em 2014.
“Como morador, sofro há 12 anos com essa empresa. O fedor gerado por ela é insuportável. O barulho que era faz não tem hora para ocorrer, é até de madrugada. Infelizmente, depois da audiência que aconteceu há oito anos, nada foi feito. Agora, vem esse advogado da empresa e diz que não tem solução para os nossos problemas. Infelizmente, mais uma vez, que paga a conta é o povo”, desabafa o morador do bairro.
'Sem solução'
O advogado Carlos Antônio Bento, que representou na audiência a Ave Nova, admitiu que o frigorífico, que funciona no Capelinha há 50 anos, não tem hoje nenhuma solução para os problemas denunciados pelos moradores.
“Vim muito aqui para ouvir. Por que hoje não tenho nenhuma solução nem poderia, senão seria um demagogo. Se eu disser: ‘amanhã estará resolvido’, estarei mentindo, porque não estará. Em meio ambiente, como o próprio nome já diz, você está no meio. Há vários fatores que influenciam no resultados, como o calor e a chuva excessivas, a falta de umidade. Por isso, existem parâmetros a serem cumpridos”, salienta.
Bento falou ainda que não é intuito do frigorífico “gerar poluição ambiental”. “Isso não está nos planos da empresa, até porque isso não gera lucro, gera prejuízo”, disse.