Foto: Arquivo Pessoal
O uso mais intenso da internet durante a pandemia fez aumentar as tentativas de fraudes e golpes virtuais. Um levantamento da Polícia Civil de Minas Gerais, feito com base nos Registros de Eventos de Defesa Social, aponta alta de 90,05% nas ameaças cibernéticas no primeiro semestre deste ano, na comparação com 2020 – foram 171 registros no ano passado contra 325 em 2021.
Uma jovem moradora do bairro Novo Horizonte, que pediu para não ser identificada, foi uma das vítimas. “Anunciei meu celular em uma plataforma de vendas e encontrei uma compradora. Ela foi até minha casa e pagou o valor em dinheiro com notas de R$ 200. Só descobri que eram falsas quando fui fazer o depósito no banco”, lamenta a betinense, que teve um prejuízo de quase R$ 3.000.
São inúmeras as formas que os criminosos têm utilizado para cometer os crimes. Há casos de roubos de senha, cartões falsificados, produtos que não são entregues, entre muitos outros.
No entanto, conforme o chefe da Divisão Especializada de Investigação aos Crimes Cibernéticos, Renato Guimarães, afirmou, a clonagem do número de WhatsApp, em que o criminoso consegue, utilizando engenharia social, a senha da vítima e, depois, se passa por proprietário do telefone para disparar mensagens e pedir dinheiro àqueles que estão na agenda telefônica da pessoa, tem sido o mais comum. “Mas há também diversas ocorrências em que o criminoso se apodera apenas da foto pública do perfil do WhatsApp da pessoa e, de posse do contato dos familiares e amigos da vítima, começa a mandar mensagens pedindo dinheiro para eles”, relatou o delegado.
A fotógrafa Patrícia Ugolini foi uma betinense que, por pouco, não entrou para a lista de vítimas. Segundo ela, a mãe recebeu, em julho deste ano, uma mensagem no celular do golpista pedindo que salvasse o número dela novo e, depois, solicitou um empréstimo de R$ 7.000. Por sorte, a mãe ligou para a fotógrafa para saber o que estava ocorrendo, e o golpe não se concretizou. “Eu disse que não tinha mandado nada e que não tinha trocado de número. Felizmente, conseguimos perceber que era um golpe”, disse.
Venda falsa
Outro crime que tem crescido é o de anúncios em plataformas de vendas de veículos. Nele, a vítima anuncia um automóvel, o estelionatário duplica o anúncio e, depois, começa a negociar o mesmo carro. “Ele alega ter mudado de número e solicita que o comprador faça o depósito do dinheiro”, explicou o delegado Renato Guimarães.
Dicas de alerta
Para o delegado de Investigação dos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, Renato Guimarães, as melhores maneiras de se prevenir de golpes e fraudes virtuais é estar sempre atento e não se iludir com propagandas mirabolantes e preços muito abaixo dos praticados pelo mercado. O policial ainda reforçou que “o recomendado é que a vítima, mesmo nos casos em que nenhum valor tenha sido subtraído, registre o boletim de ocorrência”.
Falta de preparo
O delegado Guimarães revelou ainda que muitos dos delitos cometidos pela internet são considerados “amadores” do ponto de vista tecnológico. “Eles não chegam a hackear o sistema bancário ou o computador e o celular, mas conseguem senhas e códigos que são passados pelas próprias vítimas por meio de uma engenharia social complexa”, explicou.
A enfermeira Cássia Assis lamenta ter caído na conversa de um criminoso e não ter registrado a ocorrência. Há dois anos, poucos meses após a filha dela ter ganhado um bebê, ela recebeu uma mensagem de um perfil falso dela pedindo um empréstimo de R$ 1.500, que ela acabou realizando. “Não verifiquei antes de fazer a transferência. Fiquei tão chateada que não procurei a polícia para denunciar”, contou.
Para denunciar
O boletim de ocorrência contra os crimes cibernéticos pode ser registrado em qualquer delegacia ou batalhão da Polícia Militar. As informações vão para um banco de dados que subsidia as investigações.