Governo fecha farmácias das quatro UPAs de Betim

Apesar de na previsão orçamentária deste ano, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) ter reservado R$ 2,250 milhões para operacionalizar as farmácias dos postos de saúde e R$ 2,250 milhões para gerir as unidades de média e alta complexidade, as restrições para que a população mais carente de Betim consiga adquirir medicamentos gratuitos só aumentam. Menos de um mês após a Secretaria Municipal de Saúde fechar nove das 34 farmácias comunitárias que funcionavam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, anunciou uma nova medida que vai dificultar ainda mais o acesso dos cidadãos aos medicamentos.

Desde a última segunda-feira (23), os usuários que consultam em qualquer uma das quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) – Teresópolis, Guanabara, Alterosas e Sete de Setembro – da cidade, as antigas UPAs não podem mais retirar os medicamentos prescritos no mesmo local. Com isso, caso queiram conseguir os remédios gratuitos, os pacientes têm que procurar o posto de saúde de referência da região.

A medida da Secretaria de Saúde pegou até trabalhadores de surpresa. “Não fomos avisados que isso aconteceria. Achamos um absurdo. A pessoa vem até aqui passando mal, consulta com o médico, e vai embora doente, sem remédio”, criticou uma funcionária da UPA Alterosas, que pediu anonimato.
Segundo ela, o usuário enfrenta ainda outros problemas. “Quando o paciente chega nos postos nunca encontra o remédio. Fora isso, a pessoa vai ter mais transtorno porque toda hora tem que voltar para o consultório por causas diversas: o médico esquece de assinar a receita, o paciente e o próprio funcionário ficam com dúvidas sobre a forma como o medicamento tem que ser tomado. Fechar as farmácias nas UPAs só dificulta a vida do paciente e do trabalhador”, lamentou.

Descaso

Para avisar a população da mudança, um cartaz foi afixado na porta das farmácias das UPAs, o que revoltou ainda mais os usuários. “Tive que sair daqui para ir no posto, carregando minhas duas filhas, e, quando cheguei lá, não tinhas os remédios. Por sorte, tenho condições, mas quem não tem dinheiro, como faz?”, questionou a da dona de casa Nayara Torres de Oliveira, 22, que foi buscar atendimento para as duas filhas, de 4 meses e de 1 ano e 4 meses, na última quarta (25), na UPA Teresópolis.

O aposentado Zildo Rosa, 67, faz o uso de seis medicamentos controlados e já enfrenta dificuldades para consegui-los no posto de saúde do São João. “A situação da saúde piorou demais. Para achar um remédio no posto é igual ganhar na loteria. E agora não podendo pegar mais remédios na UPA vai ficar ainda mais difícil. Ganho um salário mínimo para sustentar minha família, que tem seis pessoas. Não sobra dinheiro para gastar com medicamentos”.

Posicionamento

A Secretaria de Saúde informou que a medida já ocorre em outros municípios da região metropolitana e que a mudança visa incentivar o usuário a criar vínculos com as equipes da atenção primária, onde os medicamentos serão dispensados. A secretaria alegou ainda que até novembro R$ 2,675 milhões já foram empenhados para operacionalizar as farmácias da atenção primária e R$ 2,612 milhões já foram empenhados nas de alta complexidade.

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