Tiroteios em plena luz do dia. Famílias sendo ameaçadas por traficantes. Homens armados no meio da rua. Moradores apavorados. Esse cenário, digno de um verdadeiro filme de faroeste, tem sido nos últimos dias a realidade de quem mora na região do bairro Jardim Teresópolis. Segundo informações da Polícia Militar, a disputa pelo tráfico – um problema antigo no aglomerado – voltou a se acirrar na região, principalmente depois que o pai de “Naná”, suspeito de estar envolvido com o tráfico de drogas no Jardim Perla, gangue rival a do Teresópolis, foi morto a tiros na porta da casa dele, no dia 21 de maio.
De lá para cá, várias ocorrências relacionadas à rixa dos traficantes na região vêm sendo registradas na PM, evidenciando o clima de medo e de insegurança vivido pelos moradores da cidade. O que chama a atenção, contudo, é que, em 2015, após um acordo com o PSDB estadual, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) criou a Secretaria Municipal de Segurança Pública, comandada pelo sociólogo Luís Flávio Sapori, exclusivamente para tentar coibir a criminalidade. Dentre as propostas da pasta, que ainda não mostrou a que veio, estava a de implantar o projeto #Recomeçando, voltado para jovens com vulnerabilidade no Teresópolis. O projeto estava em fase de licitação e, antes mesmo de começar a funcionar, de acordo com a própria prefeitura, foi interrompido por causa do ano eleitoral.
“Aqui no Teresópolis a gente tem medo de sair de casa e levar um tiro. As escolas até liberaram as crianças mais cedo, com medo de que algo pudesse acontecer. Estamos vivendo sobe terror e medo e as autoridades não fazem nada para reduzir essa violência”, disse uma moradora do Teresópolis, que terá o nome preservado.
Semana violenta
Em uma das ocorrências registradas no Teresópolis, no último sábado (4), um rapaz de 22 anos foi executado a tiros no meio da rua. Na segunda-feira (6), traficantes do Teresópolis teriam ameaçado invadir a casa de um rapaz de 18 anos, que estaria envolvido com a gangue do Perla. “Os familiares desse rapaz que são pessoas de bem, ficaram apavorados quando 20 homens, armados, apareceram na porta da casa procurando o rapaz. Tanto que o outro irmão dele pulou o muro da casa com medo de que os traficantes o confundissem com o irmão e o matassem. Como assassinaram o pai do Naná, que não tinha nada a ver com essa guerra, essa família, temendo que uma tragédia pudesse acontecer, foi obrigada a sair do bairro. O clima aqui está péssimo. Temos medo de sair de casa e levar um tiro”, desabafou um familiar do rapaz de 18 anos, que terá o nome preservado. “O problema é que os traficantes do Campo (Teresópolis) acham que os moradores estão acobertando os do Perla. Não tem nada disso. Somos apenas reféns dessa violência”, disse.
As ocorrências relacionadas à guerra do tráfico não pararam por aí. Também na segunda (6), dois rapazes, de 18 e de 19 anos, foram presos após trocarem tiros com a polícia. Eles, juntamente com outros comparsas, estariam andando armados na avenida Duque de Caxias, no Teresópolis, e estariam envolvidos na ameaça feita na casa de familiares do rapaz de 18 anos, que seria da gangue do Perla.
Já na terça-feira (7), um garoto de 14 anos, que, de acordo com relatos da própria mãe à PM, estaria envolvido com o tráfico na região, foi baleado na meio da rua, no bairro Teresópolis, e socorrido
Ação da PM
De acordo com o assessoria de comunicação organizacional do 33º Batalhão da PM de Betim, o clima na região do Teresópolis é tenso, mas está sob controle. “Intensificamos o patrulhamento e a repressão na região e vamos continuar os trabalhos até que os traficantes envolvidos nessa guerra sejam presos e a paz seja restaurada na região”, declarou.