Foto: PCMG / Arquivo
Uma mulher de 19 anos que integrava uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas foi presa pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Betim, durante uma operação na Vila Cemig, em Belo Horizonte. Em julho deste ano, a suspeita liderou um incêndio a um coletivo, no bairro Petrovale, em Betim, em represália à morte de um traficante. O homem foi morto no dia 17 de julho em um confronto com a polícia.
No dia seguinte, a investigada N.M.M.S, liderando mais três criminosos, ordenou que um ônibus da linha 160 parasse. De acordo com a polícia, durante a ação, a garota, acompanhada de seus comparsas, invadiu o coletivo e, logo em seguida, agrediu o motorista com socos e pontapés. Depois, ela ordenou que os passageiros descessem.
Conforme a Polícia Civil, posteriormente, a jovem jogou gasolina nos bancos e ateou fogo ao ônibus. Todas as cenas foram captadas pelo circuito interno de câmara do veículo e contribuíram para a investigação.
“Ela é jovem, mas notoriamente conhecida pela polícia de Betim e sempre esteve envolvida com o tráfico de drogas. O traficante que morreu era comparsa dela, e ela entendeu isso (a morte dele) como uma afronta. No outro dia, em uma das avenidas mais movimentadas de Betim, às 8h, ela tomou esse ônibus, espancou o motorista, mandou todos descerem e ateou fogo ao ônibus”, detalhou o delegado Roberto Veran Braga.
A suspeita estava com mandado de prisão preventiva decretado pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Betim em aberto. Ligada ao grupo de criminosos que promoviam os chamados “Tribunais do Tráfico” - que julgavam, condenavam e executavam desafetos -, N.M.M.S foi a última integrante a ser presa entre os identificados na operação.
“O tráfico local montava tribunais e julgava quem os devia e quem tinha vacilado com eles. Essa menina, na época menor de idade, teve participação ativa em torturas e em uma provável execução. Como ela era menor, não foi presa. Todos os outros foram presos”, informou o delegado.
A Polícia Civil afirma que, apesar da pouca idade, a jovem sempre teve um perfil intimidador. Em 2020, quando a polícia prendeu oito pessoas ligadas à organização criminosa, a suspeita chegou a intimidar pessoas que prestaram depoimento na delegacia. “Durante as oitivas de menores envolvidos, ela foi para a porta da delegacia e começou a ameaçar as pessoas que foram depor. Isso tudo foi gravado e consta na investigação”, pontuou o delegado.
Além de ter envolvimento com o tráfico, a garota já era conhecida no meio policial por envolvimento com associação criminosa e corrupção de menores. Com a jovem foram apreendidas 30 porções de maconha e 40 de cocaína.