Seria apenas mais um dia comum nos 28 anos de casamento entre Maria Aquino de Sousa, de 43 anos, e Carlos Augusto Cidral, de 57, se a discussão entre os dois não acabasse com a morte do homem. A mulher, que estaria insatisfeita com os insultos que ouviu do marido, acabou dando duas facadas no peito dele, que não resistiu e acabou morrendo no chão da sala onde os dois moravam, no bairro Bela Vista.
Após cometer o crime, a autora ligou para a Polícia Militar (PM) e relatou ter matado o marido a facadas. “Nós recebemos a ligação por meio do telefone 190 informando sobre o crime. Ao chegarmos no local, ela estava sentada no sofá e o corpo do vítima no chão, bem perto de onde a autora se encontrava”, relatou o soldado Tiago Moreira, da 188ª Cia. da PM.
De acordo com relatos de vizinhos do casal, os dois brigavam muito e bebiam bastante. “Eles sempre estavam no bar aqui perto. Tomavam umas e outras, e saíam abraçados. Mas a gente sabia que eles brigavam às vezes em casa”, contou um conhecido do casal, que pediu para não ser identificado.
Ainda segundo os militares, a arma utilizada no crime estava em cima da mesa da sala. “Nós encontramos a faca embaixo de uma tampa, escondida”, concluiu Moreira.
Já na Delegacia de Plantão da Polícia Civil, Maria Aquino contou à reportagem que não se arrepende do que fez e somente agrediu o marido porque ele a teria ofendido e dado um soco em sua cara. “Era um ciúme exagerado. Eu não podia conversar com ninguém que ele achava ruim. Eu estava preparando um peixe de tira-gosto e tomando minha pinga, quando ele me chamou de puta e vagabunda. Cheguei perto do sofá onde ele estava e mandei que ele repetisse. Quando ele disse novamente, dei duas facadas nele conscientemente. E ainda falei que nunca mais ele iria me xingar. E, realmente, ele não vai agora, pois está no cemitério. Matei e matei. Devia ter dado dez facadas e não só duas. Não me arrependo de nada que fiz”, contou a autora do crime.
Quando questionada sobre o ato cometido, Maria afirmou ater agido em legítima defesa. “Ele sempre me batia. Eu trabalho duro com reciclagem para colocar as coisas dentro de casa. Meu marido não podia ter me xingado como ele fez. Eu penso que homem covarde tem que morrer”, concluiu.
Família
De acordo com a Polícia Militar, nenhum familiar da vítima compareceu ao local do crime. Já parentes da autora do homicídio, que estiveram na Delegacia da Polícia Civil, não quiseram comentar sobre o acontecido.
Autora indiciada
Diante do Delegado de Plantão da Polícia Civil de Betim, Tito Lívio Barichello, Maria Aquino de Sousa afirmou que toma remédios controlados e faz acompanhamento com psiquiatra. “Mesmo com essa alegação, ela será indiciada por homicídio qualificado por motivo fútil e poderá pegar de 12 a 30 anos de prisão”.
Ainda segundo o delegado, o caso será julgado com júri popular. Após ser ouvida, Maria foi encaminhada para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Centro-Sul, em Belo Horizonte.