Maus tratos na UAI Sete de setembro revolta irmã de paciente

Um paciente internado na UAI Sete de Setembro, não estaria recebendo o devido atendimento na unidade, segundo denúncia da irmã. Aline Garcia da Silva informou que Ronaldo Francisco da Silva deu entrada na UAI na última quinta-feira (23), com larvas de moscas em sua traqueostomia. Ainda segundo Aline, o paciente não estaria devidamente medicado e também sem os cuidados de higiene necessários.

Aline conta que o irmão é um doente crônico que não se move sozinho e se alimenta por sonda. “Meu irmão é acamado há seis anos. Ele não anda, não fala, se alimenta por sonda. Um tempo atrás, deu varejeira na ferida dele. Ele foi levado para o hospital, foi tratado e ficou bem”, afirma Aline.

Nesta quinta-feira (23), com a volta das larvas em sua traqueostomia, Silva deu entrada na UAI Sete de Setembro. “Desde quinta, ele está lá e os médicos falaram que iam mexer. Minha mãe perguntou se o médico não ia dar antibiótico, ele respondeu com a maior grosseria para ela. Disse que 'quando tiver o remédio a gente vê se dá'. Ninguém deu o remédio.”, afirma Aline.

A denunciante afirma que o remédio foi comprado com uma vaquinha que foi feito entre os acompanhantes de outros pacientes fizeram. O remédio teria custado R$ 20.

Segundo Aline, os cuidados de higiene de Ronaldo também estariam sendo negligenciados. “Ontem, minha irmã estava acompanhando meu irmão lá na UAI, e as larvas começaram a sair pela traqueostomia dele. A minha irmã chamou o enfermeiro para pedir pra ele limpar. Ele disse que não era obrigação dele limpar, que era obrigação da família. Os bichos estão abrindo um buraco na traqueostomia, eu já não sei mais o que fazer”.

A prefeitura de Betim se manifestou através de uma nota que afirma que não faltam remédios na unidade e que o paciente teria uma prescrição diária de acordo com o cirurgião de plantão. Sobre a limpeza do paciente a prefeitura afirma que seria de responsabilidade da equipe técnica.

Leia a íntegra da nota:

A Secretaria Municipal de Saúde informa que não falta de medicamento na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Sete de Setembro. O usuário tem uma prescrição diária de acordo com o cirurgião de plantão, que tem sido seguida rigorosamente. Ele está em um leito de enfermaria sob cuidados da equipe médica e de enfermagem.

A secretaria ressalta que o referido usuário começou a apresentar as miíase (afecção parasitária devido à infestação dos tecidos ou cavidades do corpo por larvas de insetos) em domicílio. É importante frisar que a medicação adequada já está sendo ministrada e que, devido ao tipo de enfermidade, o resultado leva alguns dias para ser percebido. A assepsia da traqueostomia do paciente é feita pela família apenas em casos de internação domiciliar. Caso ele esteja em uma unidade de saúde, a assepsia é de responsabilidade da equipe técnica. A secretaria esclarece, ainda, que a família não faz, na UAI, nenhum tipo de limpeza no paciente (apenas cuidados básicos como, por exemplo, ajudar no banho, levar ao banheiro, dentre outros. Funções que o acompanhante assume dentro da unidade de saúde).

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