Principal símbolo da inauguração do trecho mineiro da rodovia Fernão Dias, em 1959, pelo então presidente Juscelino Kubitschek e monumento tombado pelo Patrimônio Histórico de Betim, em 2002, o Obelisco está jogado às traças. Nesta semana, após denúncias, a reportagem flagrou o monumento abandonado em um terreno ao lado da prefeitura, totalmente tomado pelo mato.
Até setembro de 2014, o Obelisco ficava instalado no entroncamento da avenida Bandeirantes com a BR–381. No entanto, foi retirado por causa da obra do acesso viário da rodovia, concluída em dezembro de 2015 pela concessionária Auto Pista Fernão Dias. Agora, três meses depois, o monumento ainda não foi recolocado em seu local de origem.
Para o gestor cultural Emmano Garcia, esse é um desrespeito enorme com a história da cidade. “Esse monumento simboliza um momento importante da economia de Betim, quando a cidade foi ligada à São Paulo, grande polo econômico do país. O município já tem uma dívida enorme com sua história. Imóveis, por exemplo, que deveriam ser tombados, não são preservados. No caso do Obelisco, soube na prefeitura que eles não têm ideia de onde irão colocá-lo. A conclusão a que chegamos é que Betim não valoriza e resgata a sua história”, criticou.
Segundo o ator e cineasta betinense, Ubiratan Santana Moreira, esse descaso com o monumento pode acarretar, inclusive, prejuízos financeiros para Betim. “Todos os anos, a prefeitura tem que enviar um relatório ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), um órgão que avalia os cuidados que os municípios estão tomando com os bens tombados e repassa verba às cidades para preservar esses patrimônios. Se o Iphan descobrir a situação de abandono do monumento, isso vai reduzir a pontuação da cidade e, consequentemente, a verba repassada à Betim pelo Iphan”, alertou.
Posicionamento
Por nota, a Autopista Fernão Dias informou que a responsabilidade da guarda e recolocação do Obelisco é da Prefeitura de Betim. “Não temos conhecimento sobre a data de recolocação do monumento no local”.
Por nota, a prefeitura alegou o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Betim aguarda a realização de novo laudo técnico para o planejamento e a execução de todo o procedimento para a adequada recolocação do monumento.