Moradores protestam contra corte de farmácias

Indignados com a grave crise de abastecimento da saúde enfrentada pelos usuários de Betim nos últimos meses e com o comunicado feito pelo secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis, na última semana, de que, a partir de novembro, nove das 34 farmácias comunitárias que funcionam atualmente em Betim serão fechadas, moradores do bairro Cachoeira foram até o posto de saúde da região, na manha da última quarta-feira (30), para protestar.

É o caso do líder comunitário Nilton Ferreira da Silva, 45. “A população está muito triste e assustada com as medidas que a prefeitura vem tomando aqui no nosso bairro. A maioria dos moradores é carente e, às vezes, não tem dinheiro nem para pegar um ônibus. Então, como é que eles vão ficar se deslocando para buscar remédio em outros bairros? É inaceitável”.

Outra moradora que participou do ato é a dona de casa Eunice Francisca Lima, 62. Segundo ela, o posto do Cachoeira atende, além do bairro, comunidades de outras cinco regiões. “A farmácia está aqui há 23 anos e durante todo esse tempo sempre enfrentamos problemas com a falta de material. Mas tirar a única coisa que a prefeitura nos deu durante todo esse tempo é um absurdo. Centenas de pessoas dependem dessa farmácia e dessa distribuição diariamente. Não vamos deixar isso acontecer, e se for preciso, vamos manifestar todos os dias”, disse.

O aposentado Leontino Ferreira de Jesus, 65, também disse ser contra o fechamento da farmácia da unidade. “Saio do bairro Salomé, pois lá não tem posto, e venho até aqui buscar os meus medicamentos para pressão alta e diabetes. Se tirarem daqui, como vou fazer para buscá-los? É um absurdo a falta de assistência que a prefeitura faz com os moradores da cidade”, criticou.

Posicionamento

A Secretaria Municipal de Saúde informou que “o critério adotado para a reorganização das farmácias foi o preconizado pelo Ministério da Saúde, que determina que cada farmácia deve atender a um território com até 45 mil habitantes”. Ainda conforme a secretaria, “para a reorganização, foram avaliados o território das UBSs, a quantidade de equipes do programa Estratégia de Saúde da Família, a população inscrita a cada unidade e as barreiras geográficas e sociais de cada região.”

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