O Ministério Público Eleitoral investiga denúncia contra o presidente da Câmara, o vereador Marcão Universal (PPL), por suposta compra de votos no dia da eleição.
A representação contra Marcão foi feita pelo aposentado Jorge Luiz Cajueiro Souza, que atuava como fiscal eleitoral no dia da votação (2 de outubro) na Escola Municipal Arthur Trindade, no bairro Universal, que fica a poucos metros da casa do vereador.
A investigação está a cargo da promotora Gislane Colet, que já instaurou procedimento investigativo eleitoral. “O próximo passo será ouvir as testemunhas indicadas pelo representante (autor da denúncia)”, afirmou a promotora.
Segundo Jorge Souza, ele estava por volta das 11h, na escola Arthur Trindade, no dia da eleição, quando alguns eleitores chegaram até ele e afirmaram que Marcão teria pago a cada um R$ 50 pelo seu voto. “Logo após essa denúncia, chegou até mim o Lorran (Garzon de Paula), que disse que viu o Marcão conversando com eleitores. Marcão os chamava até o seu carro e dava dinheiro para cada um. Diante disso, fui para fora da escola questionar o presidente da Câmara, mas ele começou a me agredir com palavras. Falou que eu era um ingrato porque ele tinha aposentado o meu pai e ajudado no sustento da minha família. Depois partiu para a agressão física”, afirmou.
Um vídeo com a discussão entre Souza e Marcão Universal chegou a circular nas redes sociais no dia da eleição.
O que o presidente da Câmara não sabia é que o autônomo Lorran Garzon de Souza também tinha feito imagens dele abordando eleitores. Em um dos trechos, o presidente da Casa convida eleitores para passar na sua casa. “Ele ficou ali na esquina da escola muito tempo, abordando os eleitores. Primeiro conversava, entrava dentro do carro e entregava o dinheiro. Depois quando resolvi filmar, acho que ele desconfiou e passou a chamar as pessoas para ir até a sua casa, que fica bem próxima à escola. Marcão ficou por horas na porta da escola, abordando os eleitores no dia”, afirmou Lorran Garzon, que também será ouvido pela promotoria como testemunha da acusação. Os dois vídeos também foram anexados na representação.
Daniel Rodrigues, morador da região do Imbiruçu, disse que Marcão comprou seu voto no dia da eleição na escola Arthur Trindade. “O Marcão deu dinheiro para dois idosos e aí eu disse que queria vender o meu voto. Ele então me deu R$ 50 junto com um santinho. Já vi ele comprar voto outras vezes também”, afirma.
De acordo com Jorge Souza, ele decidiu denunciar o caso ao MP porque considerou “uma injustiça um presidente da Câmara comprar votos”.
Punição
Segundo o especialista em direito público e presidente da Comissão dos Direitos Municipais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Leonardo Militão, se a denúncia for comprovada contra Marcão pelo Ministério Público, ele pode sofrer uma ação por captação ilícita de sufrágio (compra de votos) e abuso de poder econômico. “Se o Ministério Público ajuizar uma ação e a Justiça condená-lo, Marcão pode ter os seus direitos políticos suspensos e não poderá disputar um cargo público nos próximos oito anos”, afirmou.
Resposta
Procurado pela reportagem, Marcão negou a acusação. “Essa denúncia é absurda, inverídica e infundada. Eu tenho 20 anos de vida pública e nunca precisei comprar um voto. E nesta eleição eu nem era candidato. O que ele (Jorge) está fazendo é querer aparecer em cima de mim”, disse.
O presidente da Câmara ainda fez outras acusações contra Jorge. “Eu estava lá na rua mesmo, pois moro ali, e me disseram que o Jorge estava comprando voto dentro da escola. Chamei-o para o lado de fora para conversar, mas ele partiu para a ignorância. Eu poderia ter pedido a detenção dele ali mesmo, mas não o fiz em respeito a família dele”.
Ainda segundo Marcão, ele vai ao Ministério Público. “Eu vou lá falar com a promotora, não tenho nada a temer, pois eu nunca comprei voto. Essa acusação é um absurdo. Vou fazer também uma ocorrência contra ele (Jorge)”.