Mudança no transporte será discutida em audiência

O polêmico estudo elaborado pela Tecnotran – consultoria especializada em engenharia de transporte –, a pedido da Transbetim, da Santa Edwiges e de cooperativas de transporte, que propõe uma alteração radical no transporte público de Betim será discutido em uma audiência pública, na próxima quarta-feira (11), a partir das 19h, na Câmara Municipal.

De acordo com o vereador Welinton Sandro de Abreu, o Sapão (PSB), autor do requerimento que culminou na realização da audiência, é preciso que a proposta seja debatida primeiro com o usuário, maior interessado. “As pessoas estão com medo que com essa mudança o transporte piore ainda mais e volte a ser como antes, quando somente uma empresa atuava em Betim”, salientou.

Pelo projeto, o transporte municipal seja dividido em três áreas: uma em que poderão trafegar exclusivamente ônibus da Santa Edwiges, outra em que vão transitar somente as vans, e uma terceira área de livre acesso para coletivos e vans. Na prática, não existirá mais o transporte alternativo, legalizado na cidade há 14 anos, pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), já que permissionários e Santa Edwiges assumirão, cada um, todo o transporte de duas diferentes regiões no município.

A área 1 vai englobar bairros como o Petrovale, PTB, Citrolândia, Marimbá, Icaivera e Bandeirinhas e ficará sob comando da Santa Edwiges. A área 2 será de responsabilidade dos permissionários e vai atuar no Imbiruçu, Teresópolis e Alterosas. Já a área de livre acesso será a região Central. Nesse caso, tanto vans como ônibus poderão trafegar. Com a alteração, haverá ainda a alteração de vários itinerários e de linhas de ônibus.

O presidente da Cooperativa de Transportes Alternativos de Fretamento e Turismo de Betim (Coopertraf), Valdiney Rosa, salientou que a categoria não vai aceitar a implementação do estudo da forma como está e sem que antes haja um maior debate com a população. “Da forma como o estudo foi elaborado, vai prejudicar muito o usuário. Pelo estudo, não existirá mais o transporte alternativo, o que não dá liberdade de escolha para que o usuário opte por andar de ônibus ou de van”.

Ainda conforme Rosa, com a mudança, 29 permissionário ficariam sem poder rodar, de acordo com a escala de cada dia. “Na área 2, em que atuaríamos, ficaria permitido rodar 142 carros por dia, mas hoje temos 170 veículos. Como ficaria a situação dos demais? Além disso, querem que o serviço seja operacionalizado por uma cooperativa, como se fosse uma empresa, sendo que cada permissionário trabalha de forma individual”, acrescentou.

Conforme Rosa, a categoria criou uma comissão para pontuar os prós e contras do estudo. “Assim que finalizarmos esse relatório, vamos apresentá-lo ao prefeito, para que ele dê um posicionamento a respeito”.

Vagas dos permissionários

O vereador Sapão ressaltou ainda que, na audiência, será discutido ainda o número de permissionários que atuam hoje no transporte alternativo do município. “Hoje, existem 177 vagas para os permissionários atuarem. Mas, para que eles consigam atender a demanda da região em que vão atuar, precisarão de mais veículos. Isso só é possível com a criação pela Transbetim de mais concessões”.

Atualmente, o processo licitatório das novas concessões do serviço de transporte público de baixa capacidade de Betim está suspenso pela Justiça, desde agosto. A decisão aconteceu após 18 mandados de segurança terem sido solicitados contra a Transbetim, alegando a existência de irregularidades no processo.

A assessoria da Transbetim informou que vai participar da audiência, na quarta (11).

Análise

A mudança proposta em Betim é polêmica e divide a opinião de especialistas. Segundo José Aparecido Ribeiro, especialista em trânsito, transportes e assuntos urbanos, a divisão do transporte em áreas acaba com a concorrência, o que pioraria ainda mais o serviço. “Estão andando para trás. Em vez de criar novas alternativas de transporte para a população, como o monotrilho e o VLT (veículo leve sobre trilhos), estão limitando ainda mais as alternativas dos usuários. O que vai acontecer é a piora ainda maior do serviço e a migração dos usuários do transporte coletivo para o individual”.

Já o engenheiro de transporte e trânsito Márcio Aguiar avaliou o estudo como inovador. “Hoje, existe uma superposição de linhas e uma concorrência predatória, o que cria uma anarquia na prestação do serviço. Com a mudança, isso tende a melhorar. Mas é preciso esperar a implantação para analisar os resultados”.

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