Falta de políticas públicas efetivas de prevenção de criminalidade, unidades policiais com equipamentos precários e número de policiais reduzido são situações comuns no dia a dia dos betinenses que precisam dos serviços da polícia e da Secretaria Municipal de Segurança Pública. Mas, agora, alguns desses problemas foram constatados pelo Diagnóstico dos Homicídios no Brasil, coletados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, e divulgados no último dia 15 de outubro pelo Ministério da Justiça. O estudo mostra que Betim tem um dos menores efetivos das polícias Civil e Militar e da Guarda Municipal de Minas Gerais, com um policial para atender a cada 491,5 moradores – 96% a menos que o recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é de um policial para cada 250 habitantes. Belo Horizonte e Governador Valadares, por exemplo, possuem 143,49 e 226,43, respectivamente.
O diagnóstico não informa o total de policiais na cidade, contudo, conforme informações de cada órgão, são 845 policiais no total, sendo 530 militares, 142 policiais civis e 173 guardas municipais.
Segundo o especialista em segurança pública Jorge Tassi, o número de efetivo em Betim é baixo, se comparado aos índices de criminalidade. Contudo, acrescentou ele, as polícias Civil e Militar têm dificuldade para recrutar efetivos, inclusive, para chamar os classificados nos concursos. “Muitas pessoas não querem assumir as vagas por vários problemas que envolvem a carreira, como os baixos salários se comparados aos riscos da profissão”, explicou. Para ele, é preciso que outros órgãos públicos passem a atuar de forma mais efetiva. “Assim, a polícia não ficaria tão sobrecarregada”, finalizou.
Outro lado
A Secretaria Municipal de Segurança Pública jogou a culpa no governo do Estado ao declarar que a questão da insuficiência do número de policiais militares e civis na cidade impacta diretamente no baixo índice da presença de policiamento ostensivo e da conclusão de inquéritos em tramitação sob a responsabilidade da Polícia Civil.
A secretaria criticou o fato de a cidade possuir 1.880 processos inconclusos de homicídio e de não contar com um Tribunal do Júri, bem como a de sede própria para o trabalho do Poder Judiciário.
A pasta também chamou a atenção pelo fato de Betim não possuir um centro de internação de adolescentes infratores. Vale ressaltar que a implementação da unidade, cujo os recursos já estariam garantidos pelo Estado, é uma promessa do sociólogo Luís Flávio Sapori, que comanda a pasta desde o início deste ano. À Betim, cabe encontrar um local adequado.
A Polícia Civil informou que está com um concurso em andamento e que Betim pode ser uma das cidades contempladas para receber mais efetivos. A Polícia Militar foi contactada, mas disse que responderia somente na próxima terça-feira (3).