Pesquisa da UFMG aponta o aumento de casos de sífilis em gestantes e bebês em Betim

90-09-2022Foto: Secretaria Municipal de Saúde / Divulgação

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da UFMG apresentou o crescimento dos índices de casos de sífilis congênita e aumento progressivo das taxas de detecção da sífilis em gestantes e a incidência em crianças. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 22 mil casos da infecção nesses públicos em 2020.

Desenvolvido durante o doutorado do epidemiologista Cristiano Campos Monteiro no programa de Pós-Graduação em Infectologia e Medicina Tropical da faculdade, o estudo relacionou a incidência de sífilis congênita, sífilis em gestantes e óbitos causados pela doença, com o objetivo de analisar a situação da infecção e subnotificação dos casos.

"O dado verdadeiro é muito maior por conta da subnotificação. Para propor a política de saúde diante das taxas apresentadas da doença é necessário o atendimento adequado compreendendo a real situação, e preenchendo corretamente os dados dos pacientes", afirmou.

As taxas identificadas entre 2010 e 2018 apontaram que passou de 1,8 para 19,7 gestantes infectadas com sífilis a cada 1000 bebês nascidos vivos. E o aumento de 1,7 para 10,5 bebês com sífilis congênita a cada 1000 bebês nascidos vivos.

Para compreender os números, a pesquisadora explica que em 2010 a cada 1000 gestantes, duas estavam infectadas. Já os dados de 2018 a cada 1000 gestantes, 20 estavam infectadas.

A pesquisa identificou a falta de notificação em 40,9% dos quadros de sífilis congênita, em Betim. Referência no tratamento e atendimento de gestantes e crianças, os dados foram extraídos de três sistemas de vigilância epidemiológica do município: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC). No estudo, 411 gestantes e 289 crianças .

A pesquisa também apontou a subnotificação em 33,3% dos óbitos infantis pela doença e 17,2% da infecção em gestantes. Segundo a pesquisadora, o dado é preocupante, pois a identificação da doença com antecedência é importante no tratamento, reduzindo as consequências da sífilis na saúde da gestante e do bebê.

Outro dado identificado pelo estudo é que 97,9% das gestantes diagnosticadas com a infecção durante o pré-natal, não completaram o tratamento da doença. De acordo com Cristiane o tratamento, disponibilizado pelas Unidades Básicas de Saúde, é fundamental para a cura da doença e a interrupção do ciclo de transmissão.

A pesquisadora também alerta que 88,2% dos parceiros sexuais não realizam o tratamento, ação imprudente que pode reinfectar a gestante.

“É preciso tratar o parceiro e a gestante. Mesmo quando ela faz o tratamento correto, se reinfectada, precisará tratar novamente”, declarou Cristiane.

Transmissão e tratamento
De acordo com o estudo a UFMG, a sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) por relação sem camisinha, a partir da pessoa infectada. A sífilis congênita é uma infecção transmitida da mãe para o bebê, durante a gestação ou no momento do parto.

Para a gestante infectada podem surgir complicações em vários órgãos como olhos, pele, ossos, coração, cérebro e no sistema nervoso. Para o bebê e a gestante com sífilis congênita, pode ocorrer o aborto espontâneo, natimortalidade, parto prematuro, malformação do feto, surdez, cegueira, alterações ósseas e deficiência mental.

A prevenção ocorre na relação sexual com o uso correto do preservativo, é identificada por meio do pré-natal, quando o diagnóstico é realizado pelo menos 30 dias antes do parto. O exame e o tratamento estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

Sífilis no Brasil
O boletim epidemiológico de 2021, divulgado pelo Ministério da Saúde, apresenta a evolução da sífilis no Brasil entre 2010 e 2020. A taxa de detecção de sífilis em gestantes passou de 3,5 para 21,6 a cada 1000 bebês nascidos vivos. Já a taxa de incidência de sífilis congênita passou de 2,4 para 7,7 a cada 1000 bebês nascidos vivos.

90-09-2022bFoto: Boletim epidemiológico de 2021 / Ministério da Saúde / Reprodução

Os dados apresentados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), apontam 22.065 casos de sífilis congênita no país. No boletim, a pasta aponta que pode ocorrer a subnotificação dos casos.

Acesse os dados completos do boletim epidemiológico de 2021 clique aqui.

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