PIB menor e queda nos empregos

Com um rombo que deve ultrapassar R$ 313 milhões somente neste ano e uma dívida fundada superior a R$ 1 bilhão, o município não encontra meios nem mesmo para pagar corretamente o funcionalismo.

No rasto do governo estadual, Carlaile Pedrosa criou um comitê de gerenciamento de crise, porém, na prática, o grupo, formado por meia dúzia de secretários, só tirou direitos do funcionalismo. No fim do ano passado, sem aviso prévio, a prefeitura passou o pagamento dos servidores do penúltimo dia do mês para o 5º dia útil.

Na última sexta-feira (5), os servidores sentiram mais um duro golpe. Mostrando sinais claros de um colapso administrativo, o primeiro escalão do governo decidiu escalonar o pagamento. A medida deixou sindicalistas e representantes do funcionalismo ainda mais revoltados. “Não entendemos isso. A Educação possui recursos próprios, e ela consegue manter sua folha. Se a prefeitura quer gerar economia, ela deve cortar a quantidade de cargos comissionados que trabalham no governo. O prefeito atual foi o que mais criou esse tipo de cargo na história da cidade. O servidor efetivo não pode sofrer as consequências”, disse Luiz Fernando Souza, coordenador Sind-UTE.

As lamentações de Luiz Fernado apenas reforçam que Betim está há anos sem uma política eficiente, que pense na economia como um todo e não apenas em ações pontuais. O PIB recuou nove posições entre 2012 e 2013. A cidade caiu da 20ª para a 29ª colocação no ranking nacional, e para a 4ª, no Estado. Nos anos 2.000, a cidade chegou a sustentar a 15ª posição no país, e a segunda em Minas.

Quando o assunto é geração de emprego, as perspectivas são ainda mais desoladoras. O município, cuja dependência da indústria automobilística é enorme, fechou, só em 2015, 9.882 postos de trabalho. Mas também houve demissões nos setores de serviços, comércio e na construção civil. Ironicamente, só a administração pública não registrou queda no número de vagas. “Essa dependência de um único setor é reflexo da falta de visão das autoridades, que deixaram de fazer uma política de planejamento econômico”, constatou Cláudio Albuquerque, mestre da Fundação Getúlio Vargas.

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