Prefeitura corta até cesta de Natal do funcionalismo

O descontrole administrativo e financeiro do governo municipal, que se agravou diante da crise econômica nacional, atingiu em cheio até a mesa natalina dos servidores municipais. É que a Prefeitura de Betim decidiu cancelar a entrega de cesta de Natal para os mais 14 mil trabalhadores da prefeitura. A decisão foi tomada pelo recém-criado Gabinete de Gerenciamento de Crise (GGC) e publicada no “Órgão Oficial” do último sábado (28).

Nas duas últimas décadas, a cesta natalina foi cortada pela prefeitura apenas uma única vez. Isso aconteceu em 2012, quando a então prefeita Maria do Carmo (PT), com dificuldade de fechar as contas do seu mandato, também decidiu cortar esse benefício. Um ano antes, MDC substituiu a cesta por uma bolsa térmica com vários tipos de carnes.

Antes de cortar a cesta, o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), alegando falta de recursos, já havia restringido o benefício no ano passado. Apenas servidores que recebiam até R$ 5.000 e estagiários foram contemplados com a cesta de Natal. Foram gastos na época R$ 789.750 com o benefício.

Vereadores foram ao plenário, na reunião da Câmara, da última terça-feira (1º), para criticar a medida, já que segundo eles, não resolve o problema da falta de recursos da prefeitura.“Cortar a cesta de Natal não resolve. O que o governo e o Gabinete de Gerenciamento de Crise (GGC) precisam fazer é tomar medidas que representem uma economia efetiva, como corte de cargos comissionados. Mudar a data de pagamento ou cortar a cesta trazem só desgaste e pouca economia”, afirmou o vereador Vinícius Resende (SD).

Os servidores concordam. “A ceia de Natal dos servidores será mais magra esse ano, sem reajuste e, agora, sem a cesta”, desabafou o professor Urgel Ribeiro.

“Na última gestão, teve um ano em que não recebemos a cesta. Agora, de novo. Para onde vai esse dinheiro?”, indagou a agente de serviço escolar Luzimar Souza.

Em release enviado à imprensa, o vice-presidente do Gabinete de Gerenciamento de crise e secretário municipal de Finanças, Planejamento e Gestão, Gustavo Palhares, alegou que a queda de recursos motivou essas ações. “Somente entre janeiro e outubro de 2015, a prefeitura teve cerca de R$ 126 milhões de redução de receitas. Era previsto arrecadarmos R$ 1.323 milhões (R$ 1,3 bi). No entanto, entraram nos cofres municipais R$ 1.197 milhões (R$ 1,1 bi). A queda maior se dá nos repasses do ICMS, que, isoladamente, representaram R$ 72,2 milhões do montante não arrecadado. Este cenário impele a Administração Municipal a adotar novas medidas de contingenciamento para o equilíbrio entre receitas e despesas já alcançado”, alegou.

Câmara
Com orçamento de R$ 51,7 milhões para este ano, a Câmara vai manter a cesta de Natal do servidor, além de não alterar a data de pagamento dos servidores do Legislativo. Foi o que garantiu o presidente da Câmara Municipal, Marcão Universal (PSDB). “Tudo será feito e pago como sempre foi aqui na Câmara”, assegurou.

Comércio
Outra medida do Gabinete de Gerenciamento de Crise foi a alteração dos repasses à Associação dos Servidores Municipais de Betim (Asmube), relativos aos descontos oriundos de compras e realizados por meio do cartão Asmubecard, e o repasse relativo à utilização do cartão “Cesta Servidor”. A partir de agora, os repasses, que eram feitos no dia 30, serão realizados no dia 10.

“Com certeza, vai ter um impacto sim nesses primeiros dias, ainda mais, que as vendas pelo Asmubecard caíram um pouco nos últimos anos por causa de outras medidas já adotadas. Esperamos que se recupere após o dia 10”, disse o gerente de uma loja de calçados Amarildo Sousa.

Para a gerente Maria Geralda, a saída é o comércio se adaptar. “Fomos pegos de surpresa. Acho que talvez poderiam ter esperado passar o fim do ano, mas não tem mais jeito. Teremos que nos adaptar à medida”, completou.

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