Após ameaçar cortar o ponto de servidores municipais da educação que participaram da greve em 2015, a prefeitura desta vez descontou no salário dos servidores os dias parados neste ano, mesmo sem a categoria entrar em greve. Pela primeira vez nesta gestão, a prefeitura cortou os dias parados dos servidores da educação que participaram de redução de módulos (meio horário de aula) e paralisações nos meses de janeiro e fevereiro na cidade. O desconto veio no contracheque dos servidores.
De acordo com o coordenador geral do Sind-UTE de Betim, Luiz Fernando Souza, essa foi a primeira vez que o corte foi feito. Em 2011, no governo da ex-prefeita Maria do Carmo Lara (PT), foi ameaçado o desconto, mas a gestão voltou atrás.
“Foram descontados dias de janeiro e fevereiro de quem participou do movimento de greve. Em uma reunião com a Semed (Secretaria Municipal de Educação), nesta semana, eles afirmaram que não irão voltar atrás nos descontos, ou seja, não vão repor o que foi cortado”, disse Souza. “Já com relação aos dias paralisados em março, ficaram de pensar se vão ou não descontar”, completou.
Para o sindicalista, o corte dos dias prejudica, além dos trabalhadores que têm direito paralisar, também os alunos. “Quando não há corte, a reposição é feita. Mas, se corta o dia de trabalho, como iremos repor? Não tem porque fazer isso. Com isso, os alunos saem prejudicados”, acrescentou.
Nos contra-cheques dos servidores, a prefeitura descreveu os dias de paralisação e redução de módulo como “atrasados” e “faltas (greve)”.
A professora Andresa Rodrigues foi uma das servidoras penalizadas pela prefeitura. “Eu sempre participei de movimento e nunca tinha sofrido corte de salário. Foram mais de R$ 200 a menos no salário. A prefeitura não paga nem o piso nacional, que é determinado por lei. É um desgoverno o que está acontecendo em Betim. A administração não dialoga com o funcionalismo”, disse a professora.
Em outro contracheque, uma professora teve R$ 169 descontados do salário.
Em 2015, quando foi anunciada que a greve da educação se iniciaria no dia 28 de abril, a secretária municipal de Educação, Mary Rita do Prado, assinou um comunicado ameaçando cortar o ponto dos servidores que aderissem ao movimento. Apesar disse, o corte não foi feito, e os dias parados foram repostos.
Em nota, a prefeitura respondeu que “o pagamento das aulas está condicionado à reposição das mesmas”. Ainda segundo o governo, “para não haver prejuízo aos alunos, caso não seja programada a reposição das aulas pelo professor que aderiu às paralisações, a Secretaria Municipal de Educação designará profissionais para cumprir a carga horária”.
Ato
Como já vem acontecendo desde o início dos ano, os educadores vão fazer um novo ato contra o governo Carlaile Pedrosa (PSDB). Nesta sexta-feira (1º), data conhecida como o Dia da Mentira, os servidores da educação farão um protesto na praça Tiradentes, a partir das 15h30. Eles reivindicam o cumprimento de acordos assinados pela prefeitura com a categoria e que ainda não foram realizados, como o pagamento do piso salarial, a isonomia e concurso para agente de serviço escolar, entre outras questões. “Vamos fazer um grande ato público, aproveitando esse dia”, afirmou Luiz Fernando Souza.
De acordo com a prefeitura, os acordos financeiros não foram cumpridos por causa da crise financeira e que, por isso, o piso salarial, apesar de ser lei, não foi implantado. Neste ano, a prefeitura também já anunciou que o funcionalismo não terá reajuste, assim como em 2015.