Prefeitura para serviços e penaliza usuários pobres

Quem anda pelas ruas de Betim percebe como a cidade passa por um degradante processo de falência. Abandonado pelas autoridades e com uma Câmara de Vereadores que não fiscaliza o Poder Executivo e concede ao povo que o elegeu apenas uma reunião de no máximo duas horas por semana, apesar de torrar mais de R$ 50 milhões por ano, o município deixou sua marca de prosperidade, sempre associada ao seu alto poder de arrecadação, para ser notícia só quando os assuntos em pauta são violência, desemprego e caos na gestão.

A crise nacional tem culpa nesse cenário, mas o que piora ainda mais a situação é a ausência de lideranças capazes de reconduzir a cidade a um caminho de diversificação econômica e cultural.
Os betinenses, que já se orgulharam de ter o título de melhor cidade mineira para se fazer negócios, uma das melhores maternidades do país e um hospital que foi referência internacional, além de já ter contado com políticas públicas elogiadas, com o programa Primeiro Emprego, a legalização do transporte alternativo e a criação da primeira Guarda Municipal do Estado, agora se prendem em suas residências com medo das balas perdidas e do mosquito Aedes aegypti .

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, quem mora ou trabalha em Betim tem oito vezes mais chance de ter dengue do que residentes em outros municípios mineiros de mesmo porte. O crescimento no número de casos confirmados é assustador: 5.192% entre os anos de 2014 e 2015. No ano passado, 21.434 pessoas foram contaminadas, média de um doente para cada grupo de 19 moradores. Os dados deste ano são igualmente alarmantes. Até esta semana, a cidade já tinha notificados 1.089 casos, com 255 confirmações.

O motivo está na cara da população. As ruas estão tomadas por lixo, há carcaças de carros velhos por todas as regiões e os lixões clandestinos se proliferam mais rapidamente do que as larvas do mosquito. Isso tudo debaixo do nariz de um poder municipal que não consegue manter postos de saúde em funcionamento. No início deste mês, por falta de uma gestão adequada, a prefeitura teve que demitir pelo menos 50 técnicos de enfermagem e fechar 38 leitos do Regional. Novas demissões estão previstas e podem atingir outros 100 técnicos.

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