Prefeitura retira servidores do Hospital Orestes Diniz

Os cerca de 35 mil moradores do Citrolândia – região que tem menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região metropolitana de Belo Horizonte –, foram surpreendidos na semana passada com uma polêmica medida tomada pelo secretário municipal de Saúde, Rasível dos Reis. Em um ofício, o gestor da pasta determinou a retirada de nove profissionais do Hospital Orestes Diniz, unidade que faz parte da Casa de Saúde Santa Izabel. Segundo trabalhadores e moradores, “a medida do governo foi arbitrária e desrespeitosa, e vai prejudicar muito o atendimento à população da região do Citrolândia”.

“Não houve nenhuma conversa sobre isso. Achamos uma falta de respeito sermos comunicados e obrigados a sair do nosso local de trabalho. O documento que nós recebemos era em tom ameaçador, pois, se não tivéssemos comparecido ao setor de recrutamento e seleção da prefeitura até domingo para a mudança, o nosso ponto seria cortado. Estivemos no gabinete do secretário de Saúde, na sexta, mas ele não estava, e o funcionário que nos atendeu apenas disse ter sido um problema de comunicação”, criticou uma enfermeira da unidade, que pediu para ter o nome preservado.

Para o diretor hospitalar da Casa de Saúde Santa Izabel, Getulio Ferreira de Morais, a mudança pode deixar os moradores da região sem atendimento. “Em 2015, tínhamos 35 médicos atuando na unidade, mas a prefeitura retirou 21. Hoje, contamos com 14 médicos, mesmo assim, porque houve uma pressão popular e um acordo entre o município e a Fhemig para que eles ficassem. Agora, fomos pegos de surpresa com esse ofício determinando o retorno de três técnicos em enfermagem, quatro enfermeiros, um técnico em nutrição e um técnico em raio X. Somos contra essa transferência. Contamos com a atuação desses profissionais. É preciso ter diálogo para que a população não seja prejudicada no atendimento, principalmente em uma época com tantas doenças”, reforçou.

Ainda conforme o diretor, caso não haja a reposição desses profissionais, o bloco cirúrgico do hospital, que faz todos os pequenos procedimentos cirúrgico, como biópsias e retiradas de cistos, terá que ser fechado. Já triagem de risco deixaria de existir. “A prefeitura alega que a retirada desses profissionais do hospital foi por força de contrato. Mas só depois de 20 anos que esses profissionais atuam aqui, eles descobrem isso?”, criticou o diretor.

Vice-presidente da Associação Comunitária de Moradores da Colônia Santa Isabel, Thomaz Nedson, disse temer as consequências dessa medida do governo. “Não é possível que o secretário Rasível vai manter a retirada desses profissionais e colocar em risco o atendimento na região. Isso é um absurdo”, criticou.

O vereador Antônio Carlos (PT) procurou o Ministério Público local para solicitar que seja cancelada a transferência dos funcionários. “Precisamos melhorar o atendimento na saúde municipal, e não piorar”, afirmou.

Posicionamento

Em nota, a prefeitura disse que a diretoria do hospital tinha conhecimento da mudança e que esse acordo teria sido firmado em agosto de 2015, porém não foi cumprido. A assessoria também informou que, na sexta (29), os funcionários foram atendidos na secretaria e receberam explicações sobre o termo de cooperação e responsabilidades entre a Fhemig e a prefeitura.

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