Pressionado, Sapori retoma promessas de segurança

Um mês após assumir a recém-criada Secretaria de Segurança Pública de Betim, fruto de um acordo político do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) com a cúpula do PSDB estadual, o sociólogo Luis Flávio Sapori já começa a ser pressionado para reduzir a criminalidade da violência no município.

Na noite dessa quinta-feira (12), o secretário participou de um debate com moradores, comerciantes e estudantes do bairro Bueno Franco e retomou as promessas que fez em sua posse. A Polícia Militar também participou do encontro, realizado na igreja da paróquia São Judas Tadeu.

Durante seu discurso, Sapori admitiu que Betim tem índices de violência alarmantes. “Betim é uma das cidades mais violentas do Estado, com taxa de 60 homicídios para cada 100 mil habitantes. No Brasil, essa taxa está em 23 para 100 mil. Temos mais de 5.000 roubos por ano, é uma realidade preocupante, e a grande maioria dos crimes está relacionada ao tráfico de drogas”, explicou.

Sapori também afirmou que as 37 câmeras de segurança da cidade não estão funcionando. “Recebemos a empresa que vai fazer a manutenção dessas câmeras e, em três meses, elas deverão voltar a funcionar, pois hoje, algumas estão sem bateria e outras estão com o cabo cortado”, afirmou. “Elas são importantíssimas no combate ao crime, mas hoje não funcionam. Outras 27 câmeras serão instaladas na cidade, com dinheiro do governo federal, e outras 30 também virão”, completou o secretário, sem, no entanto, especificar um prazo.

O secretário também reiterou que a construção do Centro de Ressocialização para Menores Infratores na cidade, uma demanda antiga da população, tem que ser feita o mais breve possível. “Se isso não acontecer, não vamos conseguir diminuir o índice de violência”.

Outra ação prometida pelo secretário é uma parceria entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar para a realização de patrulhas ostensivas e preventivas em áreas comerciais.

O comandante da 188ª Cia. de Polícia Militar, major Martins, também participou do debate. Segundo ele, a companhia tem um 65 policiais para atender a 54 bairros. “O efetivo é pequeno para a nossa demanda. Por isso, precisamos do apoio da comunidade para combatermos juntos a violência”.
Para o aposentado José Teodoro, que este no debate, disse que será preciso muito mais para diminuir a violência. “A cidade não tem projetos de esporte, lazer e educação para os jovens. Será preciso fazer muito mais ações”, disse.

A dona de casa Alberta dos Santos concorda. “A violência é alarmante. Os roubos e os homicídios acontecem corriqueiramente. É necessário muito mais que apenas colocar mais polícia na rua”, concluiu.

Gestor participou de debate na Câmara

Na última quarta-feira (11), o secretário também participou de uma audiência pública na Câmara, solicitada pelo vereador Vinícius Resende (SD), para discutir as dificuldades enfrentadas pelas comunidades terapêuticas de Betim, que tratam de dependentes químicos. Na ocasião, Sapori ouviu as cobranças dos proprietários dessas clínicas, que há mais de dois anos tentam conseguir apoio do governo municipal no combate às drogas, principal gerador da violência na cidade.

“Não existe planejamento para que possamos dar um tratamento de qualidade. Queremos fazer isso, mas não temos ajuda do município. Desejamos, de verdade, que o governo não olhe para as comunidades terapêuticas como algo de esquerda. Nós podemos não acabar com o tráfico, mas podemos estender as mãos para milhares de famílias que estão chorando”, afirmou o pastor Roberto Rodrigues, da comunidade Salvando Vidas.

O pastor Márcio Avelino, da Clínica Terapêutica Nascer de Novo, também criticou a falta de apoio da prefeitura. Segundo ele, o município exige uma série de condições para as clínicas funcionarem, mas não consegue oferecer o mínimo, como sabão e papel nas unidades de saúde de Betim. “Entrei dentro do banheiro do Hospital Regional e vocês precisam ver como está a situação. O banheiro da nossa casa de recuperação está muito melhor. Cadê o poder público para olhar essa situação? No banheiro do hospital não tem sabonete líquido nem papel, mas a Vigilância Sanitária corre atrás para fechar as nossas comunidades. Por que o hospital pode funcionar nessas condições?”, questionou.

Diante das críticas, Sapori disse que é preciso buscar recursos em Brasília para se investir no combate às drogas. “Para todos os membros de comunidades terapêuticas, eu digo que não há como, obviamente, prometer que nós vamos pôr dinheiro de imediato. Vamos ser claros e objetivos. Nós sabemos da realidade orçamentária que vive o município. Por isso, desenhando o projeto da rede e da prevenção social o passo seguinte é ir à Brasília, buscar recursos”, afirmou.

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