O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) apresentou relatório, nesta segunda-feira, que favorece a declaração de estado de escassez hídrica na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Este era o sinal verde para a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) tomar medidas de racionamento de água. A presidente da empresa, Sinara Inácio Meireles Chenna, confirmou que as propostas serão enviadas para a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae). A previsão é que as medidas entrem em vigor a partir de maio.
O relatório do Igam foi divulgado durante a reunião da força-tarefa. O documento teve como base as condições desfavoráveis dos reservatórios no estado, além da estimativa de que o mês de abril terá volume de chuva abaixo da média do mês. E apesar do volume pulverimétrico de fevereiro ter sido acima da média em boa parte de Minas, na bacia do Rio Manso, maior reservatório de abastecimento da Grande BH, o índice este abaixo da média.
Quando a Copasa começou a divulgar os níveis dos reservatórios diariamente, o Sistema Paraopeba apresentava 30,03% de sua capacidade. Rio Manso estava com 44,78%, Vargem das Flores com 27,72% e Serra Azul 5,80%. Nesta segunda-feira, o Sistema Paraopeba está em 30,5%, Rio Manso com 43,1%, Vargem das Flores em 30%, e Serra Azul, que vem em um constante aumento, com 9,6%. Índices considerados, ainda, baixos.
Entre os modelos de racionamento que podem ser adotados, estão o rodízio, redução da vazão, manejo interno do fluxo e alternância dos dias de abastecimento por região. Além disso, a sobretaxa para as pessoas que tiverem grande consumo de água também pode entrar em vigor. O secretário estadual de Planejamento Helvécio Magalhães, coordenador da força-tarefa, afirmou que as medidas podem começar a ser adotadas já em maio.
O secretário também disse que Minas Gerais está buscando parcerias com três governo estrangeiros que conseguiram reduzir drasticamente o desperdício de água nas últimas décadas: Japão, Catalunha e Holanda. “Vamos fazer acordos de cooperação com esses governos para trazer a Minas Gerais esses sistemas que se mostraram bastante eficazes. O Japão, por exemplo, conseguiu reduzir o desperdício de água de 30% na década de 80 para 8% atualmente”, destacou.
Modelo de racionamento a ser discutido
A declaração do estado de escassez hídrica pelo Instituto Mineiro das Águas (Igam), anunciada nessa segunda-feira pelo governo depois de reunião da força tarefa que avalia a crise de abastecimento, abre caminho agora para as discussões sobre qual o modelo de racionamento que será adotado pela Copasa para a Grande BH a partir de maio. O secretário estadual de Planejamento Helvécio Magalhães, que coordena a força-tarefa, informou que deverão ser avaliadas com a Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae) alternativas como rodízio, redução de vazão, manejo interno dos fluxos dos sistemas interligados e alternância de dias ou regiões. “Segundo a lei de saneamento, (a declaração de escassez hídrica) é a condição para que a Copasa faça a proposta de racionamento e/ou sobretarifa”, afirmou o secretário.
Na reunião da força-tarefa, foi apresentado o relatório detalhado sobre a situação dos reservatórios em Minas, com destaque para o Rio Manso. Apesar do volume pluviométrico de fevereiro ter sido acima da média em boa parte de Minas, nessa bacia responsável pela maior parte do abastecimento da Grande BH, o índice ficou abaixo da média. Além da constatação das condições desfavoráveis dos reservatórios, o relatório também levou em conta as previsões pluviométricas para abril, que deverá ter volume de chuva abaixo da média do mês.
A presidente da Copasa, Sinara Inácio Meireles Chenna, confirmou que na próxima semana será enviada a proposta de racionamento para a Arsae. Segundo ela, serão avaliados os prazos exatos para o início das medidas – embora o secretário tenha confirmado que será em maio. Segundo Sinara, a população terá tempo hábil para se preparar. “Racionamento está no plano, embora tenha havido uma economia de parcela da população, isso ainda não é suficiente para dar tranquilidade. Faremos uma primeira conversa ainda está semana. Na próxima semana, teremos uma data viável para o início das ações”, confirmou Sinara.
Sinara adiantou que no sistema do Rio das Velhas não é possível suspender o fornecimento para região abastecida em função de a captação não ter reservação. Segundo ela, essa limitação se deve à captação ser a fio d’água. “Foge um pouco de nossa possibilidade de segurar e distribuir de forma gradativa.” Ela disse ainda que, no sistema Paraopeba, esse manejo é possível. A solução que deverá ser empregada é aumentar o máximo a transferência do Velhas para o Paraopeba, para que haja melhores condições para fazer o racionamento.