Segurança aguarda por novo secretário

Apesar de ter sido aprovada pelos vereadores no dia 19 de dezembro, a quarta reforma administrativa feita pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) em apenas dois anos de governo e alardeada pelo tucano como uma medida revolucionária ainda não foi efetivamente implantada.

O governo criou, através da reforma, uma Secretaria de Segurança Pública, com o objetivo de reduzir o alto índice de criminalidade da cidade. Para isso, retirou R$ 76,5 milhões em recursos a serem investidos na educação, no esporte e na assistência social. Mas, apesar dos índices de violência crescentes – só nos primeiros dias do ano foram registrados 12 assassinatos –, ainda não há previsão de quando a pasta começará a funcionar. Isso porque a data da posse do novo secretário ainda não foi agendada.

O nome mais cotado para o cargo é o do sociólogo Luís Flavio Sapori, que confirmou, por telefone, a indicação para a função. Entretanto, o futuro secretário alegou que “não poderia dar mais detalhes sobre o assunto”. Nos bastidores, o comentário é que a posse só ocorrerá em fevereiro, devido a problemas pessoais do próprio Sapori. Enquanto isso, a secretaria, que possui ainda um adjunto (o nome cotado é Cloves Benevides), só continua existindo no papel.

Reforma

A quarta reforma feita por Carlaile também frustrou quem imaginava uma prefeitura mais enxuta e economicamente equilibrada. Além de não apresentar mudanças drásticas na estrutura orgânica do município que possam trazer modernização e economia às finanças da cidade (o endividamento hoje supera R$ 500 milhões), o governo ainda criou novas pastas. Além da Secretaria Municipal de Segurança Pública, três superintendências passam a fazer parte da estrutura organizacional do município: de Receitas, de Convênios e de Segurança Alimentar.

Quatro superintendências foram extintas: Antidrogas e Juventude, que foram rebaixadas a divisões; Trabalho, Emprego e Renda; e a Superintendência de Regionais.

Nesta semana, muitos funcionários dessas antigas superintendências estavam confusos, pois, apesar de a lei já ter sido até sancionada e publicada no “Órgão Oficial” do município, eles não foram comunicados se seriam demitidos ou relocados nas divisões. “O clima é de confusão total. Ninguém sabe de nada aqui. Fomos comunicados da reforma pelo jornal. Ninguém fala nada com a gente”, disse um funcionário de uma das superintendências rebaixadas. Durante a votação, a reforma foi muito criticada por alguns parlamentares.

“Estão trocando seis por meia dúzia e, o pior, acabando com importantes pastas, como a de Antidrogas, que desempenha um imprescindível papel na prevenção ao uso das drogas. Criar uma Secretaria de Segurança Pública e diminuir o investimento em educação e esporte não vai ajudar a reduzir a violência na cidade. A meu ver, faremos o caminho contrário. Quem sai prejudicado com tudo isso é somente a população”, disparou o vereador Antônio Carlos (PT).

Segundo a assessoria da prefeitura, até a definição dos novos gestores, será nomeado como secretário-adjunto interino o coronel reformado da PM Evandro Teófilo Elias, atual superintendente de Segurança Pública. Porém, a data da posse ainda não foi divulgada pela assessoria, pois aguardam a definição do prefeito.

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