Cerca de 60 famílias que estavam ocupando um terreno no conjunto habitacional Celso Pedrosa, no bairro Vila Cristina, passaram por momentos de tensão na manhã desta quarta, durante a desocupação do local, que pertence à prefeitura.
Os moradores acusaram os agentes Guarda Municipal de Betim, responsáveis pela desocupação do terreno, de “agressão e truculência”. Segundo eles, uma mulher grávida que estava no local teria apanhado de um dos guardas.
“Eles (os guardas) pisaram na cara do meu irmão e puxaram minha cunhada grávida e jogaram ela no chão. Eles não precisavam fazer isso”, afirmou Beatriz dos Santos.
Outra moradora, Natália Cristina Gonçalves de Souza, disse que até adolescentes apanharam. “Pegaram um menino, que é menor, e quebraram o braço dele. Esses guardas municipais não podem fazer isso. Jogaram meu marido no chão, como se ele fosse bandido. Se ele estivesse matando ou roubando, não iam fazer isso. Nós estamos aqui porque não temos uma casa”. Três moradores chegaram a ser detidos, mas foram ouvidos e liberados.
As famílias contam que invadiram o terreno no início deste mês porque não teriam condição de pagar o aluguel ou de comprar uma casa própria. “O espaço estava sendo usado apenas para guardar carros velhos. Havia muito lixo aqui e até focos do mosquito transmissor da dengue”, disse a moradora Solange Santos Silva.
Hostilizados. Diante do confronto entre os guardas municipais e moradores da ocupação, dois secretários da Prefeitura de Betim – Hugo Teixeira, de Comunicação, e Luis Flávio Sapori, de Segurança Pública –, que estiveram presentes durante a desocupação, foram hostilizados pelos moradores. Sapori teve que deixar o local escoltado, dentro de uma viatura da Guarda Municipal.
Questionado pela reportagem antes de deixar o local da ocupação, o secretário municipal de Segurança Pública não quis se pronunciar.
Prefeitura defende a ação
A Prefeitura de Betim informou por nota que a ação da Guarda Municipal ocorreu de forma técnica, resguardando a integridade das pessoas e garantindo o cumprimento de decisão judicial.
A prefeitura salienta que as famílias foram procuradas por equipes compostas por profissionais da Secretaria Municipal de Assistência Social, da Superintendência de Habitação e da Guarda Municipal para que realizassem a desocupação do local. Porém, negaram-se a cumprir a determinação. Quanto às famílias que foram retiradas do local, algumas delas manifestaram interesse em se cadastrar no “Minha Casa, Minha Vida”.