O prefeito eleito, Vittorio Medioli já sabe dos desafios que terá pelos próximos quatro anos na administração da cidade. O empresário esteve na Itatiaia nesta sexta-feira e falou sobre diversos assuntos, entre eles a situação complicada do município que alertou para ‘muito grave’.
Em entrevista no programa ‘Chamada Geral’, do apresentador Eduardo Costa, o empresário de 65 anos, que está no Brasil desde 1976, abordou assuntos como a dívida bilionária da cidade, segurança pública, saúde e IPTU.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
O que o levou a querer ser prefeito de uma cidade de mais de 400 mil habitantes e com tantos problemas?
“Tudo o que eu faço, procuro fazer bem feito. Quando entro, não me dou por satisfeito até conseguir o resultado melhor possível. Dediquei a maior parte da minha vida política pública a Betim, conheço a cidade como a palma da minha mão e colaborei com os melhores momentos de Betim. De 2001 a 2008, nas duas administrações do Carlaile (Pedrosa), Betim era referência, depois se perdeu.”
Qual é a situação de Betim?
“É muito grave. Na saúde, o endividamento, o sistema de previdência tem mais de R$ 600 milhões de dívida, tem uma fila de precatórios de quase R$ 500 milhões. Só isso é R$ 1,1 bilhão nas costas de Betim, fora as dívidas fundada e corrente e vários outros. Devo receber a prefeitura em 1º de janeiro com provavelmente uns R$ 2,5 bilhões de dívidas.”
Foi má administração?
“Os momentos das vacas gordas não foi devidamente aproveitado. Betim perdeu grande parcela da Fiat Automóveis. Imagina o impacto em uma cidade em que se produziam 60 mil carros por mês e hoje se produzem 20 mil. O desemprego decorrente disso foi devastador. A arrecadação também está diminuindo muito.”
IPTU e ITBI
“No meu Facebook, eu explico a visão do IPTU de Betim. Na Comissão de Transição, nós fizemos uma análise de como está estruturada as cobranças de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis). É totalmente absurda. Há dois valores de referência do mesmo imóvel. Um para cobrança de ITBI e outro para IPTU. Isso não pode existir, é inconstitucional. A prefeitura tem que dar um valor de referência, depois tem as alíquotas de cobrança.”
“O IPTU sempre teve em Betim, mas tem uma faixa de isenção, que é até 65m², depois vem os imóveis de pequeno porte (até 80m²), que paga-se R$ 80. Não é nada impossível, mas é um imposto que tem que ser cobrado até por uma questão de dever da prefeitura.”
Saúde
“Estou trabalhando para fazer uma racionalização. Já refizemos todo o organograma do hospital (público regional Osvaldo Rezende Franco), que é o ponto chave. É um choque de gestão.”
Segurança pública
“Segurança tem duas formas de enfrentar. Uma é combatê-la outra é preveni-la. Prevenir é tirar a juventude da rua, do contato com as drogas, com os vícios e com a malandragem. Lançaremos um plano com uma superintendência dedicada em tempo integral para tirar os jovens das ruas, levá-los para a prática de esporte, dar acesso à cultura e à intelectualização. Faremos isso com parcerias, com clubes que existem, como o clube do Sesi, do servidor, do Banco do Brasil, da Fiat, vários clubes.”